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ENTREVISTA / MÁRIO BARBOSA FILHO
“Encontrei uma força interior muito forte”

Um dia após ter sido libertado pelos seqüestradores, depois de 22 dias em poder dos bandidos, o empresário Mário Barbosa Filho, 56 anos, passou o domingo em casa. Com a barba feita e sete quilos mais magro, ele deu detalhes dos dias passados no cativeiro. Apesar dos momentos difíceis, o empresário recebeu a equipe do JC na sua casa bem-humorado e relembrou um pouco do drama vivenciado.

JORNAL DO COMMERCIO – Como foi o momento da abordagem dos seqüestradores?

MÁRIO BARBOSA FILHO – Eu fui surpreendido por dois homens, armados com pistolas 765. Eles pegaram no meu braço e me obrigaram a sair do carro. Colocaram um capuz sobre minha cabeça e me jogaram em um veículo que não pude identificar qual era.

JC – O senhor sabia que estava sendo vítima de um seqüestro?

MÁRIO – Uns 10 minutos depois de ter sido pego, um deles perguntou se eu sabia do que se tratava. Respondi que sim e ele disse para que eu mantivesse a calma, pois nada iria me acontecer. Disseram que queriam apenas o dinheiro.

JC – Em algum momento o senhor tentou fugir do cativeiro?

MÁRIO - No primeiro cativeiro ainda tentei desparafusar com uma chave uma das janelas, mas não consegui. No segundo, não havia porta, apenas uma lona, mas tinha alguns homens ao lado, por isso achei melhor não arriscar fugir.

JC – O senhor teve medo de morrer?

MÁRIO - Eu sabia que não devia me apavorar, pois tudo daria certo. Nesses momentos, você encontra uma força interior muito forte, mas não vou negar que houve momentos de tensão. Um deles foi quando um dos seqüestradores demonstrou insatisfação pelo fato da notícia do seqüestro ter vazado para a imprensa.

JC – Por que, ao ser solto, o senhor preferiu fazer contato com um amigo, em vez de procurar sua família?

MÁRIO - Sabia que, naquele momento, se ligasse para minha casa, seria difícil falar, pois a emoção era forte e o choro por certo viria dos dois lados. Decidi então ligar para Tomás Reis (oftalmologista de Garanhuns), e mesmo assim, não contivemos as lágrimas.

JC – Qual o valor pago pelo resgate? O montante correspondeu ao que foi pedido pelos seqüestradores?

MÁRIO - Até agora eu não sei quanto foi pago pelo seqüestro, apenas que teve uma redução entre 40% a 45% do valor inicialmente pedido pelos assaltantes.

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Jornal do Commercio
Recife - 09.07.2001
Segunda-feira