A Associação Nacional de Jornais vai reunir no Rio de Janeiro jornalistas do Brasil e do Exterior num Congresso que discutirá o futuro do jornal impresso diante de novas alternativas de mídia
BRASÍLIA - Integração e sinergia são as palavras que resumem o grande desafio no relacionameto entre Redação, Publicidade e Circulação. Para debater a relação entre esses três setores, será realizado um painel no 3º Congresso Brasileiro de Jornais e 1º Fórum de Editores, que acontecerão simultaneamente no Rio de Janeiro, dias 13 e 14 de agosto próximo, promovidos pela ANJ - Associação Nacional de Jornais.
Um dos painelistas convidados é o professor Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo para Editores, Centro de Extensão Universitária da Faculdade de Ciências da Informação da Universidade de Navarra, Espanha. Sobre essa integração, o professor Di Franco lembra que décadas de absurda compartimentação contribuiram para erguer um poderoso muro separando essas três áreas, que deveriam estar trabalhando juntas. “Hoje, não bastam belas palavras. Impõe-se, de fato, ações concretas que sejam capazes de criar a verdadeira cultura da empresa de comunicação”, adverte ele.
O jornalista Marcelo Rech, diretor de Redação do jornal Zero Hora, de Porto Alegre/RS, também participará do painel. Pare ele, redações de jornal não devem ser feudos isolados pela arrogância e prepotência. “As empresas modernas, em vez de misturar os papéis de cada área, fazem com que as áreas compreendam e respeitem os papéis de cada um”, argumenta.
O painel “Integração - Redação - Publicidade: Necessidades e Limites” vai contar também com a presença de Fernando Portella, vice-presidente do jornal O Dia, do Rio de Janeiro. O executivo considera que não existe regra pré-estabelecida para a integração entre setores, pois as mudanças ocorrem a cada instante. “Novos concorrentes, consumidores, mercados e tecnologias nascem a cada dia, alterando profundamente o modelo econômico e de gestão”, diz Portella.
De outra parte, no entanto, Fernando Portella arrisca listar alguns fatores que acredita serem críticos, como, por exemplo, preservar valores e ética; adotar visão compartilhada entre as áreas; praticar hierarquia funcional e não formal; ter modelo econômico conhecido em todos os níveis da organização; ter sistemas de medidas simples e claros; praticar remuneração participativa; assegurar sempre o ambiente para que o jornalista, o executivo e todos os demais funcionários possam desenvolver, na plenitude, a função a eles destinada.
Já confirmaram presença no encontro, entre outros, a jornalista Ruth de Aquino,correspondente da Editora Abril em Paris; Gil Thelen, editor-chefe do Tampa Tribune; Dan Bradley, vice-presidente de Notícias do Media General Broadcast Gruop, da Flórida, EUA; C. Kirk Read, editor-online do mesmo grupo.O executivo Jorge Fergie, sócio-diretor da McKinsey & Co., uma das maiores empresas de consultoria do mundo, fará uma apresentação sobre o “Futuro dos Jornais Brasileiros - o Mundo após a Internet”, analisando a indústria de jornais, que vem passando por transformações profundas em todas as suas dimensões.