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NOVO MEDICAMENTO
A pílula da juventude

França libera a venda do hormônio da longevidade, o DHEA, proibido no Brasil, mas que já encontra consumidores no mundo inteiro

por ANTÔNIO MARINHO E HUGO SUKMAN

Agência Globo

O engenheiro Eduardo Sousa, de 34 anos, quer envelhecer da melhor forma possível e diz que achou na medicina ortomolecular as fórmulas para se manter jovem por mais tempo. Há três anos toma diariamente vitaminas e minerais. E há um ano e meio acrescentou outro produto à sua lista: cápsulas de DHEA, sigla do hormônio dehidroepiandrosterona, vendido como suplemento nutricional em farmácias. O DHEA é produzido naturalmente pelo organismo humano, nas glândulas supra-renais, mas sua produção decai a partir dos 40 anos e, por isto, há quem recorra a tratamento com o hormônio, sintetizado em laboratório.

Na França, a venda do produto acaba de ser aprovada e o DHEA se tornou a pílula da moda. Especialistas franceses acreditam que ele ajuda a retardar o envelhecimento e aumenta o vigor sexual. Mas esse efeito rejuvenescedor não é unanimidade entre cientistas. Não há estudos conclusivos sobre a eficácia e os riscos da pílula para a saúde. Nos Estados Unidos, frascos com pílulas de DHEA são vendidos sem receita médica em lojas de suplementos nutricionais. Mas no Brasil, a importação e a venda de DHEA estão proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por causa das freqüentes denúncias de abuso de hormônio, consumido como anabolizante.

“Depois que passei a usar o DHEA minha disposição aumentou e até minha performance sexual melhorou. Mas faço isso com orientação médica. Apesar da polêmica a respeito da pílula, confio no meu médico. Nunca tive nenhum efeito adverso”, diz Sousa.

Mas qual seria o papel do DHEA? Segundo Ricardo Meirelles, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, sua função é servir de matéria-prima para a produção de outros hormônios, tanto masculinos, quanto femininos e que seus efeitos diretos são pouco conhecidos.

Meirelles diz que os efeitos prometidos pelo DHEA – melhora do bem-estar, aumento da disposição e do vigor sexual e fortalecimento dos músculos e dos ossos – só ocorrem quando há deficiência do hormônio no organismo.

“Os estudos ainda não permitem afirmar que ocorra aumento da longevidade, até porque o uso terapêutico do DHEA é recente. Os cientistas não sabem quais são os efeitos a longo prazo. Nas pessoas com deficiência desse hormônio, a reposição diminuiria o risco de problemas cardiovasculares”, explica o endocrinologista.

O médico e farmacologista Miguel Lemos Neto, professor da Uerj e da UFRJ, alerta que todos os efeitos atribuídos ao uso de DHEA ainda precisam de respaldo científico. Até 1996, o hormônio era classificado pelo FDA (órgão americano que controla drogas e alimentos) como suplemento alimentar, o que não livra essa droga de efeitos colaterais. Segundo o pesquisador Marc Weksler, da Universidade de Cornell, “vários efeitos colaterais nocivos foram observados em laboratório e são muito importantes para serem desprezados”.

DOSES – Nos casos de deficiência comprovada de DHEA, as doses diárias indicadas pelos médicos são de dez a 50 miligramas para mulheres e de 25 a cem miligramas para homens. E, segundo Lemos, o hormônio só poderá ser adquirido com receita médica de controle especial. A produção natural de DHEA chega ao seu pico aos 20 anos e vai diminuindo com a idade. O endocrinologista Luís Augusto Tavares Russo, presidente da Sociedade Brasileira para Estudo do Metabolismo Ósseo e Mineral, diz que a partir dos 40 anos a redução é acentuada. “Mas não há como garantir que essa pílula aumenta a expectativa de vida”, pondera.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.07.2001
Domingo