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ACUPULTURA II
Prática ainda gera polêmicas

Acupunturistas se dividem sobre quem deve aplicar a terapia. Radicais, médicos defendem que só quem passou pela faculdade tem condições de administrar as agulhas

Apenas em 1995, o Conselho Federal de Medicina reconheceu a acupuntura como especialidade médica. A portaria acirrou uma discussão que mobiliza praticantes de acupuntura no Brasil há, pelo menos, dez anos: a restrição da aplicação do método por alguns profissionais. “Acupuntura só deve ser praticada por profissionais que têm as prerrogativas de diagnosticar, prognosticar e conduzir adequadamente um caso clínico”, defende Dirceu de Lavôr Sales, diretor de ensino da Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura.

A opinião é comum entre os colegas de diploma. “Quem não é médico não entende suficientemente de anatomia. É preciso ter certeza do lugar no qual a agulha é colocada, para que não se atinja uma veia ou uma artéria”, argumenta Gustavo Sá Carneiro. “No mundo inteiro, são muitas as complicações por causa da prática leiga da acupuntura, como perfuração de pulmão, lesões cardíacas e hepatite B, entre outras”, acrescenta Sales.

Sob o argumento de que a existência da acupuntura é anterior ao surgimento das modernas faculdades de medicina, acupunturistas não-médicos discordam de seus ‘pares’. O fisioterapeuta e acupunturista Heitor Casado argumenta que o paciente já chega às sessões com o diagnóstico médico pronto. “Quando isso não acontece, o encaminhamos a um clínico. Ao acupunturista, cabe aplicar o tratamento e verificar quais pontos de acupuntura são mais condizentes com a pessoa, para, enfim, tratar o problema”, argumenta Casado, que usa um parecer do Ministério Público para afirmar que a acupuntura não é exclusividade médica. “O risco de perfuração de órgãos não existe, já que a agulha atinge somente a epiderme.”

CARO – A acupuntura é um tratamento caro. Em bons especialistas, uma consulta costuma não custar menos de R$ 100, enquanto uma aplicação pode sair por mais de R$ 50. No entanto, a população de baixa renda, pode ter acesso ao método. O Ambulatório de Acupuntura do Hospital das Clínicas foi fundado, há seis anos, pelo médico Dirceu De Lavôr Sales. Hoje, além dele, atendem no serviço o clínico homeopata Severino Santos, a ginecologista e homeopata Elba Wanderley e a anestesista Ana Paiva. Todos têm título de especialização em acupuntura.

O segurança Adonias Assunção, 38 anos, é um dos beneficiados pelo atendimento. Ele sentiu insistentes dores de cabeça por nove anos e, há seis meses, trata-se com acupuntura. “Melhorei muito. Tomava umas 70 gotas de dipirona de uma vez e não resolvia. Hoje, quase não preciso de remédios. Basta vir aqui uma vez por semana”, testemunha.

Como Adonias, o mecânico Manoel Ferreira, 60, comemora os resultados obtidos. Com hérnia de disco há cinco meses, Manoel sentia dores nas pernas e na coluna. “Depois de buscar vários tratamentos, procurei o Hospital das Clínicas. Às vezes nem acredito que melhorei tanto”, afirma. O ambulatório funciona nas terças e quartas à tarde e nas quintas e sextas nos dois turnos. Por semana, são atendidos cerca de 80 pacientes. (L.B.)

SERVIÇO

Ana Paiva: F.3227.2679
Gustavo Sá Carneiro: F. 3222.2561
Raul Cavalcanti: F. 3426.8111
Heitor Casado: F. 3076.3011

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Jornal do Commercio
Recife - 08.07.2001
Domingo