Seguindo o exemplo do PT – que lançou Humberto Costa – pós-comunistas decidem propor o nome de Freire como opção para qualquer um dos cargos em uma eventual chapa única das esquerdas
Após um período de intensas discussões e até bate-boca entre as principais lideranças nacionais, a novela da aliança entre o PT e o PPS em Pernambuco vive novo capítulo. Ontem, durante uma reunião da executiva estadual, o PPS decidiu seguir o exemplo do PT – que lançou o nome do secretário municipal de Saúde, Humberto Costa, como candidato para uma possível chapa única das esquerdas no Estado – e escalou o senador Roberto Freire com o mesmo objetivo, sem antecipar qual o cargo que ele ocuparia na chapa. O senador Carlos Wilson (PPS) – nome sugerido pelos petistas como opção para o Senado – foi ventilado extra-oficialmente por alguns pós-comunistas para disputar a Câmara Federal.
Wilson está viajando e não participou do encontro de ontem, que reuniu prefeitos, vices, vereadores e outras lideranças na sede do partido. Com a decisão do PPS de acatar a orientação do fórum das esquerdas - formado pelo PT, PPS, PDT, PSB e PTB - de indicar nomes e não cargos, o PPS sinaliza rumo à unidade. A indicação de Freire foi feita pelo prefeito de Petrolina, Fernando Bezerra Coelho (PPS). “Acredito na viabilidade da unidade e por isso fiz a indicação do senador. Afinal, ele é um nome de peso e é uma representação unânime no partido”, ressaltou.
Bezerra Coelho também sugeriu a escalação do deputado federal Pedro Eugênio (PPS) para atuar nas negociações entre o PPS e os demais partidos do fórum. “Isso não vai descredenciar o presidente do partido, Eduardo Carvalho. Será um reforço”, explicou.
Para Freire, que viu com naturalidade a indicação, a unidade é possível, desde que haja um entendimento prévio sobre a existência de um palanque plural. “Estamos fazendo nossa parte. Mas não vamos subir em nenhum palanque sem que alguns pontos estejam devidamente acertados. O principal deles é a garantia de que nosso candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PPS) tenha livre trânsito”, avaliou.
REPERCUSSÃO - Para o vereador Dilson Peixoto (PT) - escalado pelo PT para tratar da formação da aliança das esquerdas - as chances de uma trégua entre PT e PPS está muito próxima de se concretizar. “Essa foi uma demonstração positiva para a continuidade do debate. Roberto Freire é um grande nome e acreditamos que com ele a busca pela unidade está fortalecida”, argumentou. o PT não se pronunciou sobre a exigência do PPS de garantir espaço para Ciro Gomes no Estado.
Para o presidente do PDT, José Queiroz, a indicação de Freire deve ser vista com naturalidade. “Ele é um grande nome dentro do partido”. O PDT, no entanto, ainda não definiu se lançará um candidato para a unidade.