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PROTEÇÃO
Transporte seguro para crianças

por ANA CRISTINA LIMA

A regra é: criança só no banco de trás e com cinto de segurança ou cadeirinha. Mas nem todos os pais cumprem à risca. Dados do Ministério da Saúde revelaram, numa pesquisa sobre lesões não-intencionais, que os acidentes de trânsito são a terceira causa de morte de crianças brasileiras entre 1 e 14 anos de idade. Em 1999, foram registrados 1.228 óbitos de crianças ocupantes de veículos. Entre os principais motivos, conta a coordenadora do programa Criança Segura Safe Kids Brasil, Luiza Batista, está a falta de proteção no transporte dos pequenos.

A Safe Kids é uma organização não-governamental americana, que trabalha com ações educativas de prevenção e está iniciando no Recife e em outras duas capitais brasileiras, ações que visam orientar pais e responsáveis sobre os cuidados que evitam os acidentes infantis.

O Código Nacional de Trânsito determina que o transporte de crianças até os 10 anos de idade seja feito no banco traseiro do veículo. Mas não faz menção a condução dos menores de cinco anos em assentos auxiliares, como as cadeiras. “A ausência da lei dificulta a conscientização dos pais sobre os riscos”, diz Luiza. “Nos Estados Unidos o uso da cadeira de segurança é obrigatório até os quatro anos de idade”, ressalta. A campanha realizada pela entidade nos EUA possibilitou, inclusive, a redução nos preços dos assentos infantis.

Um estudo feito pela Volvo sueca verificou que 75% das crianças na faixa etária de 0 a 9 meses têm viajado em bercinhos. De 10 meses a três anos esse percentual é de 18%. A forma mais utilizada de viajar no automóvel, no caso, é solta ou no braço da mãe.

“Carregar o bebê no colo é o modo mais arriscado”, afirma o especialista em ortopedia e traumatologia Alexandre Rodrigues. Numa colisão frontal, a 50 km/h, uma pessoa sem cinto de segurança é arremessada para frente com um peso equivalente a uma tonelada. “Um bebê pode ser esmagado pela força do impacto”. “Em crianças maiores, pode ocorrer desde fraturas no crânio até lesões de órgãos internos.” Por esse motivo é desaconselhável o uso de cinto de segurança abdominal em crianças até 12 anos, diz Luiza Batista, do Safe Kids Brasil.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.07.2001
Domingo