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VIDEODROME
A desonra do meu pai

A produção russa O Ladrão (Vor) – que desbancou O Que É Isso Companheiro?, de Bruno Barreto, no Oscar 1997 – chega em vídeo, via Europa Filmes (VHS/DVD).

Trata da sensível história do garoto Sanja, cuja mãe solteira se apaixona por um suposto oficial militar na Rússia do pós-guerra. Numa época de cada um por si, mulher e filho servem de disfarce para o soldado; ela, ainda dá prazer, e compra com seu amor a própria ruína.

O filme é narrado por um Sanja já adulto, que reflete sobre as fantasias às quais se entregara ainda criança – e que salvaram-no a vida.

O Ladrão começa monótono, mas compensado pela experiência do diretor Pavel Chukhraj, bem conceituado em seu país como cinegrafista e depois diretor de fotografia – as primeiras tomadas lembram o olhar poético de Andrej Tarkovsky. No desenrolar da trama, estufa-se de emoção gerando um desfecho extremamente tocante.

O vexame fica por conta da cópia brasileira, feita a partir de um master legendado em inglês com uma enorme tarja preta. É ‘russo’ assistir, mas vale a pena.

Ruth e Raquel na berlinda

O que Nelson Rodrigues e Alfred Hitchcock tem a ver um com o outro. Tudo. Mas ainda não foi em Gêmeas (Columbia Tristar Home, VHS/DVD), que a turma da Conspiração Filmes descobriu a fórmula certa para unir ambos os estilos.

Trata-se de mais um produto da geração de cineastas publicitários/’videoclipeiros’ que tenta fazer no Brasil cinema inteligente com o timing de entretenimento hollywoodiano. Andrucha Waddington (Eu, Tu, Eles) até brinca com isso em Gêmeas.

Waddington lança mão de mais uma mulher protagonista – a esposa dele, Fernanda Torres, em boa atuação. No caso, la Torres vale por duas, no papel das gêmeas idênticas Marilena e Iara, que infernizam família, namorados e amigos com trocas de identidades.

Numa fase ‘mais madura’, Marilena se apaixona de verdade. Iara também: pelo mesmo homem, e se utilizando das brincadeiras de outrora.

O roteiro raso, livremente inspirado na obra de Rodrigues permite que o tom de mistério logo recaia no humor carioca de praxe. Elenco enxuto, cenários escassos, enfim, recursos de curta-metragem para um média ‘esticado’. A cópia em vídeo, ao menos, mantém o formato original da tela do cinema.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2001
Quinta-feira