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CINEMA
Brasil já tem representante em Berlim

Filme Latitude Zero, primeiro longa-metragem ficcional do cineasta paulista Toni Venturi, participa da mostra paralela Panorama

POR LUIZ JOAQUIM

Especial para o JC

No próximo dia 7 de fevereiro tem início o 51º Festival de Berlim, na Alemanha. Na edição deste ano, o Berlinale (como é conhecido o evento) terá um representante brasileiro. Trata-se de Latitude Zero, primeiro longa-metragem ficcional do cineasta paulista Toni Venturi, contemplado com o prêmio de melhor roteiro no último Festival de Brasilia.

O filme participa da mostra Panorama, evento paralelo à mostra competitiva, que tem como princípio apresentar novos talentos da área cinematográfica do mundo inteiro. A mostra vai homenagear o ator norte-americano Kirk Douglas, conferindo-lhe um Urso de Ouro pela carreira.

O festival que, em 98, abriu os olhos do planeta para Central do Brasil, de Walter Salles, e em 99 atiçou a curiosidade dos brasileiros para Um Copo de Cólera, de Aluizio Abranches, desta vez aposta as fichas verde e amarela em Latitude Zero – uma adaptação para a tela grande do texto teatral As Coisas Ruins da Nossa Cabeça, de Fernando Bonassi.

“Todos os grandes festivais do mundo tem seus olheiros, consultores, espalhados em diversos países. No Brasil, o ex-presidente da RioFilme, José Carlos Avelar, é a pessoa que sempre apresenta a mais recente safra brasileira à comissão da Berlim”, comenta Venturi sobre a convocação de seu filme. “Certamente ele viu que a maneira prosaica de apresentar o dia-a-dia dos personagens e a metáfora, que pauta Latitude Zero, com a população de excluídos no Brasil, casou com o perfil do Festival”.

Um dos critérios de seleção para o Berlinale é que a produção pleiteante seja inédita no mundo, com a exceção de seu país de origem. A ficção rodada pelo cineasta paulista só teve uma projeção para o público nacional. Em Brasília, em novembro último.

Até então, o trabalho de maior reconhecimento de Toni Venturi foi a sua estréia no documentário O Velho, A História de Luís Carlos Prestes (1997), já considerado como a cinebiografia mais completa que já se fez de uma personalidade brasileira.

O roteiro de Latitude Zero, assinado por Di Moretti, destrincha a história de Lena (Débora Duboc). Abandonada pelo ex-amante, um coronel da PM, e grávida de oito meses, ela cuida de um decadente bar à beira de uma estrada onde os caminhões passam ao largo e nunca param. Há também um forasteiro (Cláudio Jaborandy). Ele é um ex-policial militar, expulso da corporação, que se encontra foragido da justiça pelo assassinato de um jovem de classe média alta.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2001
Quinta-feira