Corpos foram encontrados, no último domingo, mutilados e carbonizados. Tribo Truká acusa policiais militares de terem matado pai e filho
Os dois integrantes da tribo indígena Truká, de Cabrobó, Sertão do São Francisco, encontrados mutilados e carbonizados no último domingo (7), tiveram as identidades confirmadas, ontem, pelo Instituto de Medicina Legal. Segundo denúncia dos moradores da comunidade, José de Nô Félix Filho, 38 anos, e o filho dele, José Nilson Gomes Félix, 16, teriam sido seqüestrados e assassinados por policiais militares, após confronto ocorrido na última quinta-feira (4) entre uma quadrilha de assaltantes e um grupo de PMs. O conflito resultou na morte de dois policiais. Após a identificação, os corpos dos índios foram levados para Cabrobó, onde serão sepultados hoje.
De acordo com o administrador em exercício da Fundação Nacional do Índio (Funai), Eraldo Leite, dois procuradores do órgão já comunicaram o crime ao Ministério Público Federal, que irá acompanhar o andamento das investigações, e à Polícia Federal, encarregada da abertura do inquérito. “A enfermeira e o motorista que estavam no carro com os índios já foram ouvidos pelo delegado responsável. Estamos acompanhando todo o desenrolar do processo para depois saber o que iremos fazer”. O delegado da Polícia Federal, Francisco de Assis Castro Bonfim, presidente do inquérito, não foi localizado pela reportagem para prestar esclarecimento sobre o andamento do caso.
A assessoria da PM informou que o tenente coronel Ferraz Jota, responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM), estará ouvindo os integrantes da tribo na próxima semana. Até agora, prestaram depoimentos 10 testemunhas, inclusive a enfermeira Maria Aurilene Lima dos Santos e o motorista Francisco de Assis Barros, além de alguns PMs. O IPM deve ser concluído em 40 dias.
Como o governador em exercício, José Mendonça Filho, determinou uma apuração rigorosa do crime, a Corregedoria Única da Defesa Social está acompanhando todos os dois inquéritos instaurados, tanto civil quanto militar. Segundo o corregedor Francisco Edílson de Sá, caso os PMs sejam confirmados como autores dos homicídios, eles serão punidos penalmente e poderão ser expulsos da corporação.
Revoltado com as mortes, o índio Aurivan dos Santos Barros, 28, alegou que existe muita discriminação contra sua raça. “A ação da PM com a comunidade indígena sempre foi violenta, mas nunca tinha chegado a esse nível. Nossos companheiros morreram feito dois marginais”, lamentou.