 |
 |

COMBUSTÍVEL II
Famílias de vítimas estudam ação de indenização
A família da empregada doméstica Jane Cristina da Cruz, 25 anos, que morreu anteontem, no Hospital da Restauração (HR), depois de sofrer queimaduras de 3º grau em 83% do corpo, ficou chocada com o resultado do acidente. “Ninguém conhece o dono da Kombi que Jane estava. Na segunda-feira, por volta das 22h, um vizinho chamou ela para ir para casa, mas Jane preferiu demorar mais na casa de uma amiga. Depois, não soubemos mais de nada”, contou a mãe da empregada, a dona de casa Maria da Conceição Nascimento.
“Meu marido e meu filho ainda a viram com vida, no HR, mas sem conseguir falar”. Jane Cristina era separada e tinha duas filhas, de 7 e 5 anos. “Somos pobres, mas não sabemos o que vamos fazer. Se vale a pena pedir algum tipo de indenização”, disse Maria da Conceição. O corpo de Jane Cristina foi sepultado, ontem à tarde, no Cemitério da Muribeca.
Já a dona de casa Iolanda Maria dos Prazeres, viúva do motorista João Cícero dos Prazeres, está decidida. Vai solicitar uma pensão para ajudar a criar os três dos seis filhos do casal que moram com ela. “Ainda não sei para quem apelar, mas vou atrás dos meus direitos. Não tenho como sustentar três crianças sem trabalhar”, afirmou a dona de casa.
O kombeiro Jamerson Antônio da Silva, internado no HR com 13,5% do corpo queimado, devido ao acidente, também quer receber algum tipo de indenização. “A kombi era de um amigo meu. Ganhava cerca de R$ 50 por dia. Agora, depois da explosão, além de perder o veículo e ter que pagar o prejuízo, estou sem poder trabalhar”, comentou Jamerson. “Assim que sair daqui, vou tentar um acordo com o dono do posto, a Petrobrás ou quem quer que seja. Do jeito que está não vai dar para ficar”, disse o kombeiro.
___________________________________
|

Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2001 Quinta-feira
|