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AVE EM EXTINÇÃO
Filhotes de ararinha-azul já ensaiam primeiros vôos

As primeiras aves da espécie nascidas em cativeiro no Brasil completaram três meses e começaram a se alimentar sozinhas. Elas devem ser expostas à visitação daqui a 60 dias

Os filhotes de ararinhas-azuis do Criadouro Chaparral, em Aldeia, os primeiros a nascerem em cativeiro no Brasil, foram separados do pai e já ensaiam os primeiros vôos. Os dois também começaram a se alimentar sozinhos, embora a mãe ainda forneça comida. Com apenas três meses, eles atingiram o tamanho de adultos e, não fosse por uma listra branca no bico, seriam confundidos com os pais.

O desenvolvimento dos filhotes é tão satisfatório, na opinião da equipe técnica do Chaparral, que um deles já ultrapassou o peso da mãe. O mais velho, nascido no dia 10 de outubro, está com 318 gramas e o mais novo, que eclodiu dois dias depois, pesa 305 gramas. “A mãe tem 312 gramas”, afirma a veterinária do criadouro, localizado no Grande Recife, Adriana Soares Leite.

As ararinhas-azuis devem ficar completamente independentes daqui a dois meses. “Quando estiverem comendo sozinhos, elas serão transferidos para um viveiro e ficarão expostas ao público”, anuncia o proprietário do criadouro, Maurício Santos. O casal de ararinhas-azuis adulto, então, será novamente pareado para outras tentativas de reprodução.

Maurício Santos explica que o macho adulto foi retirado do viveiro porque agrediu a mãe. “Ela quase morreu e resolvemos separá-lo das crias”, conta o empresário. Os criadores não sabem explicar o comportamento da ararinha-azul macho, mas acreditam que esteja relacionado ao instinto da espécie. “A agressão coincidiu com a saída dos filhotes do ninho”, justifica.

NA NATUREZA – Enquanto os criadores comemoram no Grande Recife o desenvolvimento dos primeiros filhotes nascidos em cativeiro, no Curaçá, Sertão da Bahia, continuam as buscas da última ararinha-azul existente na natureza. A ave não é avistada pela equipe do Projeto Ararinha-Azul desde o dia 6 de outubro. Uma operação com 12 pessoas vasculhou a região entre os dias 5 e 22 de dezembro. Mesmo assim, a ararinha não está sendo considera morta. “Acreditamos que ela apenas trocou de área”, afirma a bióloga de campo do projeto, Ana Cristina Menezes, que continua à procura da ave.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2001
Quinta-feira