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INVESTICAÇÃO
Eurico cai em contradição

Eurico afirmou que cerca de 40 mil pessoas assistiam à final da Copa JH. Depois falou em cerca de 36 mil. A capacidade do Estádio é de 35 mil

BRASÍLIA – O presidente eleito do Vasco, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), entrou ontem em contradição no seu depoimento à CPI da Nike na Câmara, ao ser questionado sobre o número de torcedores presentes no Estádio São Januário para o jogo Vasco e São Caetano. Ele também retomou os ataques ao governador do Rio, Anthony Garotinho (sem partido), e desafiou a Câmara a processá-lo por quebra de decoro parlamentar por causa das críticas ao governador.

“Se o que eu disse é quebrar o decoro, poucos (parlamentares) restarão nesta Casa e principalmente na outra (Senado)”, disse Eurico, em referência à troca de acusações entre o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o líder do PMDB no Senado, Jader Barbalho (PA), na disputa pelo comando da instituição. O regimento interno da Câmara prevê que a quebra de decoro pode levar à cassação de mandato.

Ao responder à acusação de que o São Januário estava superlotado, Eurico afirmou que cerca de 40 mil pessoas assistiam à partida. Mas, logo em seguida, disse que poderiam estar presentes cerca de 36 mil. A capacidade do Estádio é de 35 mil pessoas, mas, segundo Eurico, ele comporta até 40 mil.

O dirigente vascaíno recusou a proposta feita pelo seu colega de Câmara, deputado JanuGeraldo Magela (PT-DF), para que peça licença da CPI pelo fato de os incidentes no Sãoário estarem sendo investigados pela polícia. Durante a partida, cerca de 200 pessoas ficaram feridas por conta da queda de parte do alambrado.

Magela começou suas perguntas comparando a iniciativa de Eurico Miranda de depor de maneira espontânea com a atitude do senador cassado Luiz Estevão (PMDB-DF), que agiu de maneira semelhante durante a CPI do Senado que investigou irregularidades no Poder Judiciário. Miranda rejeitou a comparação, levantando o tom de voz. E ficou irritado também com o apelo feito por Magela para que ele se afastasse da CPI, permitindo que a Comissão investigasse o episódio do Estádio de São Januário durante a final da Copa João Havelange em 30 de dezembro - a CPI aprovou requerimento do deputado José Genoíno (PT-SP) propondo a formação de uma subcomissão para acompanhar as investigações do incidente. Eurico Miranda desafiou Magela para que ambos se licenciassem do mandato para uma investigação mútua.

“Vossa Excelência nem ninguém tem o direito de interferir no meu mandato”, protestou, justamento no momento em que Magela aceitava o desafio.

“Vossa Excelência baixou aqui na CPI para me provocar, mas não vai conseguir”, afirmou o dirigente vascaíno, voltando ao tom de voz calmo e pausado – que não é o o que usa habitualmente – de seu depoimento.

ATAQUES À GLOBO – Eurico afirmou que Garotinho tomou uma atitude demagógica ao decidir pela suspensão do jogo influenciado pela Rede Globo. Logo depois de dizer que não repetiria as críticas ao governador, ele afirmou que não se arrepende de ter chamado Garotinho de frouxo. “O governador agiu certo da forma errada.” O dirigente do Vasco também voltou a atacar a Rede Globo dizendo que a emissora fez uma edição das gravações do jogo para incriminá-lo.

As cenas exibidas pela Rede Globo mostram que o deputado pediu para a retirada imediata dos feridos para que a partida recomeçasse. Eurico disse à CPI que a Rede Globo fez pressão para que a partida final da Copa JH não fosse reiniciada porque a grade de programação da emissora ficaria comprometida com o atraso de suas novelas.

O deputado disse ainda que a CPI precisa investigar os procedimentos da Globo, detentora dos direitos de transmissão do campeonato, em relação aos clubes. Eurico acredita que a Globo o considera culpado pelo fato de o calendário da Copa JH ter se prolongado. Ele relatou que, quando o Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio de Janeiro obteve liminar adiando o jogo com o Cruzeiro na véspera do Natal, foi procurado por representantes da emissora que pretendia que a partida fosse realizada na quinta-feira à tarde por que à noite seria exibido o filme Titanic e a transmissão da partida já havia sido vendida para 32 países e o adiamento causaria prejuízos à Globo.

O deputado disse que não aceitou a pressão da emissora porque o Vasco receberia apenas R$ 12.000,00 pelos direitos da transmissão a 32 países. “Eu sei que eles, a vida inteira, não vão me perdoar por isso, mas eu estou me lixando”, declarou Eurico Miranda.

No final do depoimento, o deputado Geraldo Magela (PT-DF), pediu o afastamento de Eurico Miranda da CPI.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2001
Quinta-feira