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INVESTICAÇÃO II
Ronaldinho terá de mostrar contrato com Nike

BRASÍLIA – O atacante Ronaldinho, da Inter de Milão, foi intimado pela CPI da CBF/Nike a apresentar, no prazo de 10 dias, cópia do contrato vitalício que mantém com a Nike. A mesma reivindicação foi feita à empresa patrocinadora. A decisão foi tomada durante o depoimento do jogador à Comissão, ontem, na parte em que ele conversou reservadamente com os parlamentares.

Em caso de recusa, há dúvidas quanto a competência da Comissão em enquadrar o jogador e a empresa por crime de desobediência, o que implicaria na aplicação de multas e até na pena de prisão, de 15 dias a 6 meses. A incerteza dos parlamentares se explica pelo fato de se tratar de um contrato com cláusulas de sigilo protegidas pela legislação internacional.

O presidente da CPI, Aldo Rebelo (PCdo B-SP), explicou que o documento é importante para a investigação porque resolveria de uma vez por todas a polêmica sobre a interferência ou não da Nike na escalação de Ronaldinho, no jogo em que o Brasil perdeu a Copa do Mundo para a França.

O jogador disse que não houve nenhum tipo de interferência. Ele assegurou que resolveu entrar em campo porque se sentia bem clinicamente e fisicamente, mesmo sabendo que tinha sofrido uma convulsão.

Mas não convenceu aos deputados. O relator Silvio Torres (PSDB-SP) disse que o depoimento não levou a investigação a lugar nenhum. “Vamos continuar nossa apuração”, anunciou. De acordo com deputados, o contrato vitalício estipularia o pagamento de US$ 1 milhão por ano para Ronaldinho enquanto ele estiver na ativa. A Nike reduziria o valor para US$ 500 mil quando ele se aposentar.

O atacante se recusou a comentar valores ou qualquer outro detalhe do documento, alegando que está impedido por uma de suas cláusulas. Na parte secreta do depoimento, o máximo que ele fez foi informar sobre prêmios que receberia por vitórias ou títulos.

Ronaldinho afirmou que, se fosse a Nike, rescindiria o contrato de US$ 200 milhões que a empresa mantém com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo prazo de 10 anos. Segundo ele, a medida iria impedir que a patrocinadora continue sendo vista como suspeita nos investimentos que faz no Brasil. “Eu não teria dúvida em rescindir esse contrato e sair do País”, garantiu.

Para ele, a iniciativa não representaria muito em relação aos investimentos que a Nike faz em todo o mundo. “Não me lembro de ter visto um contrato tão bom”, defendeu. Pouco depois, ele caiu em contradição, ao informar que não conhece os termos desse acordo com a CBF.

MUITA INCOERÊNCIA – O atacante também foi incoerente com outras afirmações. Ele constatou que o futebol brasileiro está bem atrás do futebol europeu em termos de organização e profissionalismo, numa crítica aos dirigentes. Ainda assim, elogiou o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, dizendo que ele é um grande dirigente.

Ronaldinho deixou claro que não quer assumir uma posição com relação às denúncias investigadas pelas CPIs. Ele disse que nunca soube de casos concretos de passaportes falsos, nem da existência de caixa dois na venda de jogadores. Também negou ter conhecimento do esquema que resultaria na convocação de jogadores pela Seleção Brasileira para valorizar o valor do passe. “Não conheço”, afirmou. “Sei que existe porque acompanhei pela TV.”

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Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2001
Quinta-feira