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SAÚDE
Declare guerra aos piolhos

Lançamento da pílula Revectina, que só deve ser tomada sob orientação médica, traz à tona o problema da pediculose entre a população do País

por Antonio Marinho, Leonardo Valente e Márcia Cezimbra

Agência Globo

Mês de férias é tempo de livrar as crianças de um problema típico do período de aulas: os piolhos. A praga, que se não tratada a tempo acaba tomando conta de toda a família, está cada vez mais disseminada. No Rio, a prefeitura está distribuindo cartilhas sobre o problema nas escolas da rede municipal. Uma das novidades lançadas no mercado para acabar com o problema é a pílula Revectina, que mata piolhos e lêndeas, mas só deve ser tomada com orientação médica.

“O problema dos piolhos é muito comum entre os alunos da rede e por isso resolvemos ensinar a combatê-lo já no próximo semestre. Quanto mais informação, menos chances de contágio”, conta Carlos Silva, gerente do projeto de esclarecimento nas escolas do Rio.

Mas, para quem pensa que piolho é exclusividade de escolas públicas e de crianças de periferia, a nutricionista Márcia Gomes de Almeida é um exemplo do contrário. Sua filha, Carolina, de 5 anos, estuda numa escola de classe média alta de Niterói e já pegou a praga três vezes nos últimos dois anos.

“Na última vez, ela passou piolho para toda a família. Fui ao dermatologista, que disse que o problema estava nos cuidados de higiene do colégio e sugeriu que eu comunicasse o fato à escola a fim de que medidas urgentes fossem tomadas. Entre elas, uma campanha para que todos os coleguinhas de turma usassem um xampu inseticida”, conta ela.

Segundo Jussara Azambuja, presidente do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria, o preconceito é um inimigo pior do que o piolho: muitos pais têm vergonha de admitir que seus filhos têm piolhos porque acham que a praga é exclusiva de pessoas pobres.

“Esse é um erro terrível, a pediculose é um problema de higiene coletiva que está em várias classes sociais. Por isso, tanto as escolas públicas quanto os colégios particulares de classe alta estão sujeitos ao problema”.

Apesar de atacar sem escolher classe social, os piolhos são inimigos facilmente combatidos: há diversos medicamentos no mercado. A Revectina, por exemplo, deve ser tomada em dose única e promete não só acabar com os piolhos mas destruir as lêndeas (ovos), que não são exterminadas com os demais medicamentos.

“O remédio é bem tolerado, não tem contra-indicações e mata os piolhos em até 80% das crianças. Ao contrário de outras drogas, ela fica dez dias na corrente sanguínea. Quando as lêndeas viram piolhos, elas sugam o sangue e morrem”, garante o dermatologista Absalom Figueira, da Universidade Federal do Rio de Jameiro(UFRJ).

Há, porém, médicos cautelosos, que não recomendam a pílula e preferem tratamentos menos tóxicos, como os pediatras Sérgio Cabral e Jussara Azambuja. Os dois ressaltam que, qualquer que seja o tratamento, é fundamental ter orientação médica para saber a dosagem certa em cada caso.

“Para acabar com os piolhos, não basta aplicar o xampu. Diversos procedimentos de higiene precisam ser tomados. Do contrário, a reinfestação é certa. Esterilizar e deixar ao sol colchões e roupas de cama de toda a família, além de combater as lêndeas, é muito importante. Campanhas nas escolas são necessárias para se evitar que uma criança contaminada faça com que outras que já se trataram peguem a doença novamente”.

AÇÃO COLETIVA – Segundo o médico Sérgio Cabral, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, o importante é matar as lêndeas. “Do contrário, nenhum tratamento adianta. É preciso retirar as lêndeas do couro cabeludo com escovações e ressecá-las com vinagre, sob orientação médica”.

Para a professora Rosa Martins, as escolas devem alertar os pais sobre o primeiro caso de piolho constatado em qualquer turma. “Quando há um caso de piolho na escola em que ensino, todos tomam providências. Toda instituição de ensino que tem um caso deve avisar os pais de cada turma. Todos precisam agir com firmeza e com transparência para que o problema possa ser resolvido”, diz a professora.

Rosa comenta que os pais devem respeitar os filhos e seus colegas. Para isto, a primeira providência é ter o cuidado de comunicar à escola o problema. “Muitas mães ficam com vergonha de dizer que o filho está com piolho. Mandam o filho para a escola sem avisar. Ter piolho não é vergonha”, completa.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.01.2001
Domingo