LG_jc.gif (3670 bytes)

COMPORTAMENTO II
Maduras, poderosas e resolvidas

Mulheres que já passaram pelo climatério falam sobre as vantagens de conseguir levar uma vida saudável. Definitivamente, o mito da menopausa ficou para trás

Zenaide Barros, 55 anos, e Maria do Carmo Domingues, 48, comprovam que a pesquisa realizada em Campinas, São Paulo, com mulheres no climatério e na pós-menopausa está correta. Elas cuidam da saúde, da auto-imagem e sexualmente são bem resolvidas. Aproveitando o melhor que esse período pode lhes proporcionar, elas se mostram seguras e estão ativas sexualmente tanto quanto antes.

Formada em Letras, porém exercendo o cargo de auditora da Secretaria da Fazenda Estadual, Zenaide acredita que essa mudança do comportamento feminino é conseqüência de uma série de influências externas. “A TV, os jornais, o cinema contribuíram para o surgimento da mulher do século 20, que já não acredita numa relação eterna. Hoje, temos pique para buscar algo novo, para ir atrás da própria felicidade”, opina.

A menopausa chegou para Zenaide aos 42 e, segundo ela, não afetou em nada a sua vida sexual. Ao contrário. “Com a minha maturidade, passei a fazer sexo melhor. Através de conversas com minhas amigas, vejo que a menopausa não tem mudado em nada a vida sexual delas. Hoje, existe a reposição hormonal para debelar a questão da pouca hidratação vaginal e já não temos mais receio de uma gravidez indesejada”, diz, explicando que esses dois fatores contribuem bastante para uma experiência satisfatória na cama.

VIVA A COSMETOLOGIA – Casada pela segunda vez, e com um parceiro 15 anos mais jovem, Zenaide é um bom exemplo de como encarar positivamente as mudanças da vida. Mãe de três filhos e avó de quatro netos, ela, que nunca tinha trabalhado antes, virou a mesa aos 35, vencendo a dependência emocional e financeira que tinha do ex-companheiro. “Foi difícil admitir que meu casamento tinha acabado. Levou um tempo para eu aceitar”. No processo, fez vestibular, conheceu seu atual marido na faculdade e mudou de profissão. “Evoluí intelectual e sentimentalmente”, resume.

Na sua opinião, a auto-estima e a cosmetologia são dois grandes aliados da mulher nessa fase. “Há quem não concorde, mas acredito plenamente nos cremes. Eu mesma comecei a cuidar da minha pele aos 25”, revela. Os cuidados com o corpo vem de uma alimentação sem exageros, de caminhadas diárias e da prática de yoga.

Maria do Carmo é outra que não esqueceu de investir em si mesma. Aos 48 anos, casada há 25 e mãe de um casal de adolescentes, ela diz que nunca se sentiu tão bem, tão “poderosa”, inclusive sexualmente. “Tenho consciência do meu corpo, talvez devido ao tema da profissão que exerço (Psicomotricidade Relacional). É um corpo que conheço, que seduz e que ainda tem um potencial de energia grande para desfrutar”, comenta. Maria do Carmo confirma a tese de que uma auto-estima positiva e um parceiro estável, de fato, fazem a grande diferença na vida sexual feminina depois dos 45.

Antenada com os novos tempos, ela diz que as mulheres de sua geração são bem resolvidas em diversas áreas, fruto das conquistas alcançadas nas últimas décadas. “Abrimos portas importantes sem pedir licença. Talvez se o tivéssemos feito, teriam posto enormes cadeados”, acredita.

A psicóloga Aída Novelino, autora de vários estudos sobre sexualidade, vê o comportamento feminino nesse fim de século como uma espécie de rompimento de valores e aprisionamentos antes impostos pela sociedade. “A mulher contemporânea se permite viver um relacionamento amoroso sem as implicações que os relacionamentos do século passado tinham”, diz.

O olhar de igualdade entre os sexos é apontado por Aída como um dos fatores que ajuda no jogo sexual. “Atualmente, a mulher não tem que ficar subordinada a alguém que não deseja de verdade”, avisa.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 07.01.2001
Domingo