LG_jc.gif (3670 bytes)

COMPORTAMENTO IV
Auto-estima e conhecimento do corpo são vitais para a mudança

O ginecologista Valdir Tadini mostra-se entusiasmado com o resultado da pesquisa que deu embasamento à sua tese de doutorado Sexualidade no Climatério ou, como vem sendo chamada extra-oficialmente, Efeito Vera Fischer. “Eu nunca concordei com a idéia de que o climatério leva a mulher a se desinteressar por sexo”, diz. Para ele, esse período é mais uma fase na vida mulher, assim como foi a da adolescência. Ao contrário do que se pode crer, ela também traz proveitos e deve ser encarada por esse ângulo.

“O período que antecede à menopausa ou a menopause em si é uma fase como outra qualquer nocalendário biológico feminino. Pode-se dizer até que é menos complicada do que a da adolescência, quando não se sabe quem é, quando a insegurança impera em tudo”, opina, acrescentando que, na segunda fase, a mulher está madura, sabe o que quer e como conseguir o que deseja.

Não por acaso, o ginecologista cita Vera Fischer – a Helena, de Laços de Família, da Globo –, e Ângela Vieira – a Velma, da minissérie Aquarela do Brasil, que recentemente foi ao ar na mesma emissora – como bons exemplos da realidade abordada na sua tese. Ambas, vale ressaltar, foram capas da revista Playboy, e, mesmo beirando os 50, são símbolos sexuais venerados por homens e mulheres. “Vera Fischer é uma deusa. Qualquer um vê sexualidade quando põe os olhos nela. Mulheres de diferentes idades a usam como referencial”, compara.

AUTO-ESTIMA – Tadini acredita ainda que, para as mulheres terem prazer durante o climatério, é importante que não cuidem apenas da parte orgânica, como tomar hormônios. Eles sozinhos não são capazes de tornar a vida sexual feminina um mar de rosas. “Não adianta melhorar apenas a parte orgânica. A auto-estima e um bom conhecimento do corpo também ajudam muito”, arrisca dizer.

Com sua tese o ginecologista pretende alertar os profissionais de sua área e a população de uma maneira geral de que as mulheres não recuaram nas suas conquistas de 40, 50 anos atrás. “As mulheres têm avançado consideravelmente desde o Movimento Feminino, como costumo chamá-lo. O problema agora está com os homens, que não conseguiram acompanhar os avanços do sexo oposto”, dispara. (L.M.)

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 07.01.2001
Domingo