O exame de Emissão Otoacústica – conhecido como teste do ouvidinho – pode indicar, precocemente, se a criança tem algum grau de deficiência auditiva
por LUIZA BARROS
A tecnologia, todos sabem, é um forte aliado da medicina. Afinal, além de tratar com eficiência graves problemas de saúde, possibilita a realização de diagnósticos cada vez mais precisos, assim como preventivos. É esse o caso do exame de Emissão Otoacústica – conhecido como teste do ouvidinho –, que pode indicar, precocemente, se a criança tem algum grau de deficiência auditiva. Assim, da mesma maneira que ocorre com as doenças detectadas com o Teste do Pezinho, o problema pode ser tratado desde o início, evitando danos maiores.
Segundo dados do Grupo de Apoio à Triagem Auditiva Neonatal Universal (Gatanu), a cada mil bebês que nascem em circunstâncias aparentemente normais cerca de três apresentam algum grau de surdez, o que equivale a 0,3%. Em se tratando de nascimentos prematuros, o número cresce – a incidência é, em média, de 10% a 15%. Daí por que a importância de diagnosticar o problema preventivamente.
“A recomendação é que o exame seja feito nas primeiras 36 horas de vida, ou seja, antes da criança ir para casa. E então, caso seja detectado algum problema, o bebê é encaminhado para outros exames”, assegura a fonoaudióloga Andréa Muniz, uma das responsáveis pelo serviço no Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip) – que integra o Programa Mãe-Canguru – e no Hospital de Ávila, da rede privada.
TRATAMENTO – Logo que diagnosticada com deficiência auditiva, a criança deve começar a ser tratada. “O tempo ideal máximo para o paciente colocar o aparelho é seis meses”, afirma Andréa. Nelson Caldas, diretor-presidente do Real Instituto Otorrino do Hospital Português, justifica: “Se o ouvido nasce sem funcionar bem, as vias acústicas, que fazem a ligação entre o ouvido e o cérebro, não se desenvolvem corretamente. A melhor época para amadurecê-las é até os dois anos de idade. Assim, quanto mais cedo percebermos que uma criança tem deficiência auditiva, melhor, pois as vias auditivas não permanecerão ‘verdes’, já que receberão estímulos para se desenvolverem”.
O prazo dos seis meses para colocação do aparelho, no entanto, nem sempre é respeitado. Infelizmente. No Imip, por exemplo, a menina Bruna Lopes Cabral foi a criança que teve intervenção mais cedo, nesses três anos em que o teste do ouvidinho está sendo realizado, e colocou a prótese somente com oito meses. “A fila de espera para aparelho dura em média um ano e meio, por isso dependemos de doações, tanto de pessoas físicas como de fábricas, que às vezes doam próteses impróprias para venda, mas que podem ser consertadas”, diz Andréa.
Bruna, hoje com dois anos e meio, está bem. “Ela está tendo uma ótima reação ao aparelho e até já fala algumas palavras”, comemora Elisângela Cabral, mãe da menina que, duas vezes por semana, também recebe acompanhamento especializado, em sessões de fonoaudiologia.
O EXAME – No teste do ouvidinho, o bebê é examinado através da introdução de um minúsculo microfone, que emite estímulos e capta as respostas com a ajuda de computador, no seu canal auditivo. “Os sons são emitidos e voltam em forma de eco. O computador mede as respostas e nós comparamos com um padrão de normalidade de audição. O resultado sai na hora”, explica Andréa.
Entre as maiores vantagens do exame, além, claro, de sua alta margem de precisão (a eficácia é de quase 100%), é o fato de não ser invasivo, pois não fura o bebê, é indolor, não usa nenhum tipo de sedativo e pode ser feito no quarto, ao lado da mãe. “O teste é feito em apenas três minutos e o bebê nem sequer acorda”, explica Andréa.