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DIGITALIZAÇÃO Vida nova aos velhos LPs
O charme das gravações antigas que só existem nos discos de vinil pode ser imortalizado com a conversão das canções dos LPs para CDs por BRUNA CABRAL Há certas coisas que jamais são esquecidas. Primeiros sutiãs à parte, a era do LP (Long Play) ou bolachão dificilmente sairá da memória dos saudosistas. Tampouco sairão daquele cantinho da sala as coleções de discos de décadas longínquas, na maior parte empoeiradas e meio sem uso. Tudo isso porque radiola é artigo raro hoje em dia. Mas o som das discotecas não está relegado ao esquecimento. As novas tecnologias de áudio digital resgatam esse passado glamouroso através da digitalização dos LPs. O processo, que consiste na transferência do conteúdo do vinil para o computador e posteriormente para o CD, é simples e pode ser feito em casa. A primeira etapa é reunir todos os equipamentos necessários para a digitalização: toca-discos, ou radiola, para os mais íntimos, com entrada phono (caso contrário é preciso um amplificador); computador com placa de som e configuração correspondente à de um Pentium II ou III com 233 MHz em diante, pelo menos 32 MB de RAM e HD de 8 GB; gravador de CD, caixas de som ou fones e cabo para conectar o toca-discossauro à entrada line-in da placa de som, que pode ser encontrado em lojas de equipamentos de som e tem dois conectores RCA em um dos lados e um pino do tipo banana no outro. Depois de conectados (na ordem toca-disco-micro-caixas de som-gravador de CD), os equipamentos devem ser testados. Enquanto escuta uma música, o usuário regula o volume que deseja manter na gravação. Tudo pronto? Então é só iniciar o processo de fato. É nessa segunda etapa que os recursos de gravação de áudio digital entram em cena. Softwares variados podem ser usados para a gravação. Assim como as características e recursos, os preços variam bastante. Para os usuários domésticos, o LP Recorder, da CBF Software, é uma boa opção. Feito para facilitar a gravação de LPs, está disponível para download gratuito na Internet em versão Demo. Inteiro, ele não sai por menos de US$ 20. Outras possibilidades são o Music Match Jukebox, também gratuito, e o CakeWalk. Se dinheiro não é problema, a melhor alternativa é o profissional Sound Forge, da Sonic Foundry, com recursos sofisticados de gravação, edição e até de mixagem. Quem comprou placas de som ou gravadores de CD recentemente conta com a possibilidade de usar os softwares que vêm junto com os equipamentos, como o Easy CD Creator ou o Wave Studio. O primeiro acompanha gravadores LG e Philips e o segundo, placas de som ou kits multimídia da Creative. Apesar de cada programa ter uma interface diferente, todos funcionam basicamente do mesmo jeito na hora da gravação. Portanto, não há muito mistério: basta selecionar os parâmetros do arquivo digital que será gerado em formato .wav para 44.1 MHz e 16 bits de resolução, colocar a agulha no início da faixa desejada e acionar o rec. A gravação dura o tempo da música. Algumas pessoas optam por gravar um lado inteiro do disco num único arquivo. Isso é um pouco arriscado, porque se houver algum problema, como um pulo da agulha, toda a gravação fica comprometida. Ao final de cada faixa (ou bloco de faixas), é aconselhável escutar a gravação, para checar se tudo saiu como planejado. Com o som da vitrola a salvo no HD, há duas opções: gravá-lo em CD ou transformá-lo em MP3. Antes de fazer essa escolha, o usuário precisa definir se ama ou odeia os chiados, porque alguns dos softwares oferecem recursos de edição e eliminação dos ruídos característicos do vinil. Se o desempenho do seu editor não for satisfatório, a Web oferece alguns programas específicos para essa tarefa. Um deles é o De Popper, que limpa desde cliques até barulhos de fundo, tudo com interface simples. Para quem quer gravar as músicas em CD, os já citados softwares que acompanham os periféricos de áudio são suficientes. Já a conversão para MP3 fica por conta de softwares gratuitos, como o Music Match Jukebox, oferecidos aos montes na Web. O resultado da mistura entre tecnologias ultrapassadas e modernas é um CD que acaba com a insatisfação dos amantes do LP e agrada os adeptos da música digital. Como? Na digitalização vale a máxima do comércio: quem manda é o freguês. A música tanto pode preservar chiados e estalos originais, quanto ter qualidade 100% digital. Mesmo conservando o som dos discossauros, o CD traz as vantagens de durar mais, não mofar e ser mais disseminado, o que significa que você poderá usufruir das pérolas dos idos tempos em qualquer lugar, sem precisar carregar uma radiola a tiracolo. Essas vantagens encantaram o estudante de Administração Alberto Luis Viegas, 24 anos, que começou a copiar LPs em 1998. Dá trabalho, mas vale a pena. É como imortalizar um álbum antigo. Viegas, que usa o Wave Studio, garante que o resultado final é compensador, além de barato. Alguns álbuns nunca foram lançados em CD e os que foram custam muito caro, porque são considerados raridades. O músico e estudante de arquitetura Marco Aurélio Pires Caminha Júnior, 24, também não abre mão da qualidade do áudio digital. Para ele, que formou a banda retrô Noise5 com quatro amigos, os LPs são uma fonte inesgotável para as pesquisas de repertório. Há dois anos ele começou a fazer a gravação de LPs usando um software quase tão pré-histórico quanto os discos: o Gold Wave. Era um processo quase artesanal. O programa permitia que as ondas sonoras fossem esculpidas manualmente, tirando os estalos e chiados, conta. Pouco tempo depois ele migrou para o Sound Forge e jura amor eterno ao programa. Serviço www.cbfsoftware.com |
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