Líder da extrema-direita israelense vai disputar o cargo de premiê com Ehud Barak e diz que, se vencer, não vai respeitar os acordos firmados em Oslo
JERUSALÉM – O candidato do direitista partido Likud, Ariel Sharon, declarou ontem ao jornal israelense Haaretz que os acordos de paz de Oslo estão mortos. Ele frisou que só pretende entregar aos palestinos 42% do território da Cisjordânia, tomada da Jordânia por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Sharon disputará o cargo de primeiro-ministro com o atual chefe de Governo, o trabalhista Ehud Barak, nas eleições do dia 6 de fevereiro. Para Sharon, os acordos, pelos quais Israel deveria devolver terras em troca de paz, foram destruídos quando os palestinos iniciaram sua última Intifada em setembro, uma vez que seu princípio era a solução pacífica dos conflitos.
Ele também esclareceu uma declaração que fizera anteriormente sobre a necessidade de o País ter de fazer concessões dolorosas se quiser a paz.
“Quando falo de concessões dolorosas quero dizer que não vamos reconquistar Nablus e Jericó (cidades entregues à Autoridade Palestina, como cumprimento aos acordos de Oslo). Para mim, isso é uma concessão dolorosa porque elas são o berço do povo judeu. Não reconquistaremos as áreas nas quais vive uma maioria árabe. As áreas das quais falo representam 42% do território”, explicou Sharon.
Ontem, ele lançou oficialmente sua candidatura ao cargo de primeiro-ministro numa manifestação em Jerusalém. Com as pesquisas apontando vitória arrasadora para Sharon, aumenta a pressão para que Barak renuncie em favor do ex-primeiro-ministro Shimon Peres, que, firmou os acordos de Oslo com o também ex-primeiro-ministro Yitzhak Rabin e o presidente da AP, Yasser Arafat.
Pesquisas de intenção de voto dão até 28 pontos de vantagem de Sharon sobre Barak, mas indicam que, se Peres fosse o candidato do chamado campo da paz, venceria o líder do Likud por uma diferença de 3 a 5 pontos percentuais. A legislação israelense permite que um candidato renuncie em favor de outro do mesmo partido até quatro dias antes da eleição.
Ainda ontem, o governo israelense negou categoricamente que Barak planeje desistir em favor de Peres.
“O primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e todos os membros de seu gabinete devem ser processados como criminosos de guerra por aprovarem o assassinato de vários palestinos”, afirmou Yasser Abed Rabbo, um dos principais negociadores de Yasser Arafat junto ao Estado judeu.
Segundo os palestinos, mais de 10 pessoas, incluindo líderes da atual Intifada contra Israel, foram assassinadas pelos comandos israelenses nos últimos dois meses. Por sua parte, Israel afirma que está atacando palestinos envolvidos em atentados contra israelenses, e defende sua prática como efetiva e justa.