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JUSTIÇA
Pinochet internado para exames

SANTIAGO – Várias horas após concluir a primeira etapa de seus exames médicos, o general Augusto Pinochet transferiu-se para uma clínica particular a fim de submeter-se a uma tomografia cerebral.

À tarde, o ex-governante deixou o Hospital Militar, onde pela manhã foram colhidas amostras de seu sangue e urina, dirigindo-se para a Clínica Las Condes, onde foi submetido a uma tomografia cerebral, que fornecerá dados sobre seu estado neurológico. A realização deste exame se deve ao fato de o general ter sofrido vários pequenos derrames cerebrais durante o período de 503 dias em que permaneceu em Londres, em prisão domiciliar, até março do ano passado.

Nos próximos dias, o octogenário ex-ditador deve ser submetido a perícias psiquiátricas e neurológicas para determinar se está em condições de ser processado. Na segunda-feira, o general deverá ser interrogado pelo juiz Juan Guzmán, que tenta processá-lo por homicídios e seqüestros de prisioneiros políticos em outubro de 1973.

O estado de saúde do ex-ditador Augusto Pinochet, 85, vem sendo afetado por várias enfermidades, que lhe provocam perda de memória e até depressões, entre outras seqüelas, segundo antigos relatórios médicos.

A principal descrição da degeneração física de Pinochet é o relatório dos médicos britânicos John Grimley Evans, Michel J. Denham, e Andrew J, Lees, que o examinaram em Londres a pedido do Governo do Reino Unido.

Durante uma viagem de negócios e lazer pela Europa no final de 1998, Pinochet foi em outubro para a capital inglesa para submeter-se a uma imprevista operação de coluna e, nessa ocasião, foi detido a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, que solicitou sua extradição por crimes de lesa humanidade.

O Governo de Tony Blair o liberou 503 dias depois, aceitando a opinião dos médicos, que descreveram o ex-governante como um decrépito incapaz de encarar um tribunal. Segundo os médicos britânicos, a degeneração intelectual do ex-ditador chileno o fazia esquecer o “passado remoto”, devido a lapsos de memória e dificuldades de compreensão.

“Não conserva vívida a lembrança dos acontecimentos” do passado, “como os ocorridos durante o regime militar” que liderou entre 1973 e 1990, segundo o informe.

O ex-ditador “tem um histórico médico muito complexo”, mas atualmente sofre de dois problemas: uma “neuropatia periférica diabética e uma degeneração cérebro-vascular progressiva”, segundo indicaram.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2001
Quinta-feira