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PREFEITURA DO RECIFE III
Nomeação de Luzia é destaque no País

A decisão do prefeito do Recife, João Paulo (PT), de nomear a primeira-dama, Luzia Jeanne, assessora especial da Secretaria de Saúde repercutiu em todo o País. Ontem, o jornal Folha de S.Paulo fez uma grande matéria sobre o assunto, com direito, inclusive, a uma chamada na primeira página. “Em Recife, prefeito do PT nomeia sua mulher”, dizia a manchete, chamando para a matéria completa na página 3 do caderno Cotidiano. Ontem, todas as agências de notícias destacaram a informação, com reportagens com o próprio prefeito, com primeira-dama e, até mesmo, com o presidente nacional do PT, José Dirceu.

“Não vejo caso para se condenar e transformar num problema ético”, disse ontem José Dirceu, em São Paulo. Embora ressaltasse que a orientação do partido é para não nomear parentes, Dirceu vê atenuantes que justificam a atitude do prefeito, citando o fato de Luzia já ser funcionária pública federal concursada há 17 anos.

“Há atenuantes. Senão, vão transformar isso numa caça às bruxas. Ela é funcionária federal concursada, especializada na área e já trabalhou várias vezes no Governo, inclusive na época do Arraes”, afirmou Dirceu, referindo-se ao ex-governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Miguel Arraes. De acordo com o deputado, a única discussão procedente “refere-se à gratificação” de R$ 944,80 que Luzia terá direito por assumir um cargo de comissão. “A discussão é se ela abre mão ou não da gratificação”, afirmou o deputado petista.

O presidente do PT afirmou que o partido tem combatido o nepotismo em todos os lugares em que atua. No entanto, disse que é necessário “avaliar as diretrizes da administração de João Paulo e da composição do governo, considerando os critérios éticos, de experiência administrativa e de representatividade”.

“Não se pode pegar a nomeação da esposa do prefeito e transformar isso em uma avaliação sobre o caráter do Governo e os objetivos do Governo. É um despropósito”, disparou Dirceu.

Segundo o dirigente petista, João Paulo não consultou o partido sobre a nomeação, pois os prefeitos e as administrações petistas têm autonomia nas decisões. “Nossa recomendação é não nomear parentes, mas não vamos interferir nas administrações municipais”, completou.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2001
Quinta-feira