Nas suas mais recentes entrevistas, a romancista e poeta Hilda Hilst fez questão de lembrar da sua forte ligação com o contista Caio Fernando Abreu, falecido em 96. Lembrou que ambos faziam ‘rituais’ diante de uma árvore secular na Casa do Sol (onde mora a escritora, em Campinas), que ela o chamava de Garcia Lorca e que, logo após sua morte, ele chegou a lhe ‘visitar’, para dizer que estava tudo bem. A amizade entre os dois é o tema do próximo projeto de Ítalo Moriconi, que pretende reunir a correspondência entre os autores em livro.
“Trata-se ao mesmo tempo de minha pesquisa de pós-doutorado, de um projeto pessoal de livro, e de uma encomenda da editora Aeroplano, chefiada por minha musa e amiga Heloísa Buarque de Hollanda”, comentou Moriconi.
Sobre o conteúdo das cartas, Moriconi faz mistério: “Neste momento, não posso te adiantar nada. Só posso te adiantar que as cartas de Caio para Hilda são tão emocionantes quanto a literatura de ambos. Um mistério que ainda não consegui desvendar foi como começou a amizade entre Caio Fernando e Hilda Hilst e como ele, tão jovem, foi parar na casa dela, onde morou durante algum tempo, ainda nos anos 60”
Uma das cartas entre Hilda Hilst e Caio Fernando Abreu, no entanto, foi publicada em 99, na série Cadernos de Literatura Brasileira, dedicado a Hilda. Nela, Caio analisa o primeiro livro em prosa da amiga, Fluxo Floema (no qual, um dos textos é dedicado a ele), e afirma que sua literatura é de uma perfeição que deixa o leitor cambaleando, desnorteado.
Paralelo às cartas, Moriconi pretende ainda escrever outro livro, agora retratando a literatura brasileira da virada 70/80. “E eu pretendo escrever um livro sobre alguns escritores da geração dos anos 70, com destaque para Ana Cristina e Caio Fernando, dois que nos deixaram”.(S.C.)