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ASSALTO
Ladrões invadem prédio e seqüestram promotor

Dois homens renderam o vigilante do Edifício Mantiqueira, em Boa Viagem. No primeiro andar, ameaçaram Flávio Falcão, da Promotoria do Meio Ambiente, que, temendo pela vida da filha, ofereceu-se para ser refém

Dois homens armados de revólveres invadiram o Edifício Mantiqueira, em Boa Viagem, na tarde do último sábado. Os bandidos tinham a intenção de assaltar todos os moradores do imóvel, localizado na Avenida Domingos Ferreira. No entanto, ao chegarem a um dos apartamentos do primeiro andar, de propriedade da sogra do promotor de Justiça do Meio Ambiente Flávio Falcão, mudaram de idéia. Isso porque o promotor, temendo que os ladrões matassem a filha dele, de 2 anos, ofereceu-se para ser levado como refém, em seu carro importado (um Alfa Romeo).

Segundo o promotor, os assaltantes renderam o vigilante do edifício, por volta das 14h30, e subiram ao primeiro andar. Pela grade do corredor, o segurança chamou Flávio Falcão, que, sob ameaça, foi obrigado a abri-la. Muito nervosos, os ladrões diziam que queriam dinheiro e jóias. Nesse momento, a filha do promotor acordou chorando. Os criminosos trancaram a criança, a empregada e o vigilante num quarto. Temendo pela vida da filha, Falcão negociou com os bandidos para que o levassem no carro, com os cartões bancários, sem ferir ninguém.

Ele e os assaltantes seguiram até o Hiper Center Casa Forte. Enquanto um dos ladrões sacava dinheiro do caixa eletrônico do Bandepe, o outro permaneceu com a arma apontada para a cabeça da vítima. Os bandidos ficaram irritados, porque o cartão magnético do Banco do Brasil não funcionou. A situação piorou, quando viram os documentos de Falcão e descobriram que é promotor. “Eles disseram que iriam me matar”, relatou.

DIÁLOGO – Depois de sacarem o dinheiro do Bandepe (Falcão informa não saber o valor roubado), os assaltantes decidiram seguir para um matagal em Paulista, onde matariam o promotor. A partir daí, ele iniciou um verdadeiro trabalho de convencimento para que os ladrões acreditassem que não atuava na área criminal. “Disse que sou promotor do Meio Ambiente e que não faço mal a ninguém. Só defendo a natureza.”

Falcão contou aos assaltantes que é de família pobre e chegou à atual posição graças a muito esforço. “Falei que havia estudado em colégio do Estado, que sofri discriminação por ser pobre e, por isso mesmo, entendia a situação deles”, prosseguiu.

No matagal, o promotor resolveu presentear um dos ladrões com um chapéu. “Disse que havia ficado muito grato pelo fato de terem poupado a minha filha. O assaltante também agradeceu e ainda afirmou que eu era legal.”

Por volta das 17h, o promotor foi libertado no matagal. “Eles me mandaram sair andando, sem olhar para trás. De repente, pediram para eu parar, me devolveram os cartões bancários e me deram R$ 20 para pegar um táxi.” Falcão também convenceu os ladrões a lhe entregar processos de crimes ambientais que estavam na mala do carro.

Em seguida, o promotor caminhou até a Associação dos Servidores do Judiciário, onde pediu ajuda e foi levado para um posto da Polícia Rodoviária Federal. Até o fim da tarde de ontem, o carro dele não havia sido encontrado.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.06.2001
Segunda-feira