Muitos moradores fizeram questão de acompanhar a demolição de parte do Edifício Ijuí. Bastante abaladas com a perda dos imóveis e objetos pessoais, as famílias chegaram antes das 8h à Rua Águas Claras, em Piedade. Bastou o guindaste iniciar a operação para aumentar a tensão dos proprietários. A cada batida do guincho ou estrondo de concreto caindo no chão, eles reagiam. Alguns choravam muito. Outros olhavam consternados a derrubada dos blocos. Todos foram unânimes em um aspecto: queriam distância da imprensa.
A proprietária do apartamento 104, Adriana Chaves, foi uma das únicas a prestar declarações. Ela ainda tinha a esperança de reaver os objetos pessoais. “Vamos ver se vai dar para garimpar alguma coisa”, disse. No fim da manhã, os moradores escolheram o empresário Carlos Alberto Arruda como porta-voz do grupo.
Para ele, o mais importante, naquele momento, era encerrar a demolição o mais rápido possível. “Confiamos na construtora. Tudo o que combinamos com o proprietário da empresa está sendo cumprido”, afirmou.
O dono da empresa, Sílvio Lôbo, descartou a possibilidade de permitir o retorno dos moradores aos blocos não danificados no desabamento. “Ninguém vai voltar para cá”, declarou.