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EDUCAÇÃO
Estudantes boicotam Provão

Em protesto contra a sexta edição do Exame Nacional de Cursos, formandos de Medicina e Pedagogia de Pernambuco decidiram apenas assinar a ata de presença

O boicote de formandos de Medicina e de Pedagogia, que entraram na sala de aula apenas para assinar a ata de presença, marcou ontem a sexta edição do Exame Nacional de Cursos, o Provão, criado pelo Ministério da Educação (MEC) para avaliar os cursos de graduação. Em Pernambuco, 7.818 concluintes de 20 cursos se inscreveram no Provão, condição obrigatória para a obtenção do diploma.

Na frente do Colégio de São José, na Boa Vista, formandos de Medicina prenderam faixas no gradil, criticando o exame. “O Provão não avalia o estudante de forma completa porque a prova é só teórica”, disse Gustavo Rosas, estudante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que entregou o gabarito em branco.

Ubiracé Elihimas, que está terminando Medicina na Universidade de Pernambuco (UPE), também aderiu ao boicote e não fez a prova. “No caso de Medicina, o exame da Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino (Cinaem), que reúne entidades nacionais de saúde e educação, é mais eficiente do que o Provão. Nele são avaliados conteúdo, habilidade, ética e comprometimento com o paciente”, explicou.

Luana da Rocha Samico, concluinte de Medicina da UFPE, chegou atrasada ao exame, aplicado das 13h às 17h, e não pôde entrar para assinar a ata de presença, como pretendia. “Agora vou ter que esperar o próximo exame, em 2002, para obter o diploma”, reclamou. O Diretório Central dos Estudantes da UFPE vai tentar reverter o prejuízo de Luana na Justiça.

PEDAGOGIA – No Colégio Salesiano, na Boa Vista, formandos de Pedagogia, que participaram pela primeira vez, vestiram-se de preto para protestar contra o Provão. “Não se pode avaliar quatro anos de estudos em apenas quatro horas”, criticou Eduardo Bezerra, concluinte da UFPE, que não fez o exame de avaliação.

A exemplo dele, Juliane de Freitas, do Diretório Acadêmico de Pedagogia da UFPE, deixou o exame em branco por discordar de sua finalidade. “Avaliação é um processo e nós não somos um produto de mercado”, justificou.

Patrícia Barroca e Simone Vasconcelos, concluintes de Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), são contra o Provão, mas fizeram o exame, no Colégio de São José.

“Foi difícil porque alguns assuntos não foram dados na nossa faculdade”, informou Patrícia.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.06.2001
Segunda-feira