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CRISE POLÍTICA
PF vai investigar denúncia da IstoÉ contra Jáder Barbalho

Solicitação foi feita pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que considerou grave a denúncia apresentada na revista, esta semana, contra o atual presidente do Senado

SÃO PAULO – O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, encaminhou à Polícia Federal pedido de abertura de inquérito policial para investigar as denúncias feitas pela revista IstoÉ contra o presidente do Senado, Jáder Barbalho (PMDB-PA). De acordo com a revista, Barbalho teria chefiado um esquema de venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) emitidos irregularmente quando ele era ministro da Reforma Agrária, em 88, durante o Governo Sarney.

Segundo fonte da Procuradoria, Jáder solicitou que Brindeiro abrisse um processo contra a IstoÉ. Diante da gravidade dos fatos expostos pela revista, Brindeiro resolveu pedir a abertura de um inquérito policial para investigar todas as denúncias. A Assessoria do senador Jáder Barbalho, entretanto, informou que a idéia de abrir investigações para apurar o caso partiu do próprio senador.

No ofício encaminhado à PF, Brindeiro solicita que a Polícia Federal colha o depoimento de diversos envolvidos nas denúncias de venda de TDAs emitidos irregularmente. Os depoimentos solicitados incluem o do próprio presidente do Senado, além do banqueiro e pecuarista Serafim Rodrigues de Moraes, do empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silva, entre outros. Brindeiro também solicitou que a PF faça uma perícia da fita de áudio, a qual a revista IstoÉ teve acesso, para averiguar a autenticidade do diálogo gravado entre o advogado e sub-procurador geral da República aposentado, Gildo Ferraz , e o banqueiro e pecuarista Serafim de Moraes, revelando o possível esquema chefiado por Jáder Barbalho.

Na reprodução da conversa feita pela revista, Moraes conta que, em 1988, Jáder lhe vendeu, por intermédio de Vicente de Paula, TDAs emitidos ilegalmente. Os títulos, segundo a revista, custaram R$ 4 milhões e foram obtidos pelo empresário quando a Fazenda Paraíso, no Pará, foi desapropriada. O problema é que esta fazenda não existia e o decreto de desapropriação fora assinado pelo então presidente José Sarney, a pedido do então ministro Jáder.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.06.2001
Segunda-feira