BRASÍLIA – O racionamento de energia na região Norte deverá seguir a meta de 15%, em relação ao consumo verificado entre maio e julho de 2000, a partir do dia 1.º. A decisão foi tomada pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE), em princípio, como forma de acomodar as pressões dos governadores do Pará, Almir Gabriel (PSDB), e do Maranhão, Roseana Sarney (PFL). Entretanto, continuava suspensa até ontem porque o Operador Nacional do Sistema (ONS) mantém a defesa de uma redução mais acentuada no consumo de eletricidade da região, a partir de 15 de julho.
Com base em dados sobre os níveis de reservatórios das hidrelétricas do Norte e das previsões sobre a afluência de águas nos próximos meses, o ONS propôs que o racionamento na região alcance 17,5%, em relação ao consumo verificado de maio a julho de 2000, ou 20%, em comparação com o uso de eletricidade previsto para 2001.
Apesar da divergência sobre a meta, ONS e a cúpula da GCE concordam que a fórmula terá de, prioritariamente, manter a transmissão de mil Megawatts (MW) médios da Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, para o Nordeste – a região que enfrenta a situação mais crítica.
Outra fonte que participa das negociações antecipou que a câmara de gestão pretendia fixar a redução de 20% do consumo para o Norte, como vem acontecendo no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste desde o dia 1.º. Na quarta-feira (06), Gabriel reuniu-se com o presidente da GCE e ministro-chefe da Casa Civil Pedro Parente, e pediu que o racionamento fosse de apenas 10% no Norte, a partir de 1.º De julho. Mas deixou o Palácio do Planalto declarando que 15% seria negociável.
A mesma fonte informou que a meta não foi anunciada de imediato por razões essencialmente políticas. O Governo optou por esperar até o início desta semana, tempo necessário para convencer os governadores do Pará e do Maranhão a aceitar a redução de 15% no consumo de energia de residências, de empresas e de entidades públicas.