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O homem e a natureza O Dia Mundial do Meio Ambiente, ocorrido na terça-feira da semana passada, foi comemorado no Recife com alguma retórica e umas poucas ações práticas. Num parque, no bairro do Cordeiro, houve plantio de mudas de pau-brasil, enquanto na Imbiribeira a Associação dos Amigos da Lagoa do Araçá soltou crustáceos e alevinos no espelho d'água, distribuindo também latinhas com brotos de árvores frutíferas aos moradores. A urbanização da Lagoa do Araçá, à época em que o atual governador era o prefeito da cidade, é um bom exemplo do que pode fazer a administração pública, quando movida por vontade política. Antes de 1994, era uma espécie de depósito de lixo, e o seu contorno uma das áreas marginais do Recife, refúgio de desocupados e até de pessoas que se dedicavam ao desmonte de carros roubados. Hoje, a população que a circunda é a sua maior defensora e faz cobranças consistentes ao poder público para melhorar sempre o local. O agora chamado Parque Ecológico Lagoa do Araçá, de 14 hectares, é opção de lazer para muitos habitantes da cidade. Mas, quando se fala em meio ambiente, no Recife, a primeira lembrança que nos chega é a do Capibaribe. Administrações anteriores começaram, mas não terminaram, algumas ações restauradoras, como aconteceu com o trabalho de dragagem. No Dia Mundial do Meio Ambiente isso foi lembrado. Um dirigente municipal reafirmou que a revitalização do rio é uma das prioridades da Prefeitura do Recife. E foi instalada naquele dia a Câmara Técnica SOS Capibaribe, com a inclusão de organizações não-governamentais. Sendo um curso d'água que passa por muitas cidades, a Prefeitura da capital não pode salvá-lo sozinha. É preciso que conte com o apoio das outras edilidades de cidades ribeirinhas, com fiscalização cerrada contra a poluição. E receba dos governos estadual e federal verbas para limpar o que os homens sujaram durante muitos anos. No âmbito estadual, duas ações voltadas para os problemas ecológicos foram divulgadas, no dia 5 deste mês. Uma delas: os resultados de pesquisa sobre a consciência ambiental dos pernambucanos, encomendada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente. A outra foi o anúncio do edital de licitação para a elaboração da Agenda 21, compromisso assumido pelos brasileiros na grande Conferência promovida pela ONU, há quase uma década, na Eco-92. A pesquisa, realizada num universo de 7.138 pessoas, demonstrou que 77% dos pernambucanos são pouco ou mal informados sobre assuntos de meio ambiente e de ecologia, mas 73,4% consideram os homens de hoje responsáveis pela preservação ambiental. E cerca de 21% dos entrevistados se disseram dispostos a realizar trabalhos voluntários para melhorar a qualidade de vida de sua cidade, ou de seu bairro. Quanto à Agenda 21, cuja
elaboração se espera estar completada somente em março
de 2002, é uma espécie de programa que contemplará
seis temas, do desenvolvimento sustentado até a
desertificação. O objetivo geral é orientar os
investimentos a serem feitos, doravante, com a
otimização do emprego do dinheiro público. Esperemos
que as propostas resultantes não fiquem só no papel.
Nestes tempos em que o tema mais falado no Brasil é a
redução da energia, será catastrófico que haja uma
redução da própria esperança de um futuro melhor para
os nossos habitantes. |
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