por ROSÁRIO DE POMPÉIA
A próxima terça-feira é o dia oficial dos apaixonados. Data dedicada para os namorados expressarem o mais nobre dos sentimentos em forma de presentes, cartões, declarações, serenatas ou apenas uma rosa. O que não é permitido é deixar passar o dia em branco como se fosse uma data qualquer do calendário.
Além da difícil escolha do presente, que muitas vezes pode levar horas no shopping, outra dúvida é onde comemorar. Qualquer lugar não vale. É necessário ir àquele ambiente que possui um bom atendimento, caso seja um bar, aconhegante e, principalmente, especial para o casal. Outro aviso: ir com amigos não é uma das melhores idéias, pode ser considerado, na lei do romantismo, um crime.
“Restaurantes, muitas vezes, são especiais para os casais. Para mim, o Donatário. Sempre viemos e com certeza já é a nossa cara”, conta Luciana Santos e Ricardo Farias, com dois anos de namoro, acompanhados do casal Carla Macedo e Geraldo Macedo, casados há quatro meses. Se o seu lugar especial também é um restaurante, reserve mesas com antecedência, pois grande parte dos namorados recifenses se encontram nessses locais.
Não é só um ambiente tranqüilo que torna o ambiente especial. “O Berrante, por exemplo, é um bar conhecido pelo público que vem para paquerar. Mesmo assim, tenho não só uma história como várias. Todos os meus romances passaram por aqui”, relembra Bruno Albuquerque. “Toda vez que eu pensava em ir ao Berrante encontrava sempre Bruno e no fim da noite acabavámos ficando. Depois de seis meses nesse lenga-lenga, resolvemos namorar e foi no Berrante que tomamos a decisão”, explica Juliana Fagundes.
A data pede exclusividade. Comemorar com a cara-metade em um espaço que por si só conta a história dos dois. “Vou descer a Serra das Russas para comemorar em um ambiente agradável e romântico, não em qualquer lugar. Com certeza, irá ser num restaurante em Aldeia, chamado Relicário. O clima é bastante aconhegante, à meia luz, com um som de um violeiro que passa nas mesas perguntando sobre as músicas que queremos”, conta Juliana Laupman, que trabalha em Gravatá e namora com Cláudio Machado, do Recife.
Muitas vezes, o local especial é aquele que oferece vista privilegiada. Esse é o caso de Aline Agra e Nilton Júnior. “O bar Biruta é um lugar especial porque me sinto bem, gosto da brisa do mar e foi um dos primeiros lugares que começamos a freqüentar no início de namoro, temos muitas lembranças daqui, inclusive nosso aniversário de uma ano”, explica Aline com dois anos e seis meses de namoro.
O bar também traz boas lembranças para quem esta começando o relacionamento. Angelita Mandice e Paulo Oliveira se conheceram no dia anterior e estavam se acertando no Biruta. “Com certeza, a partir de hoje, esse local é mais do que especial”, sorri a garota.
A beleza também atrai o casal Januária Sampaio e Múcio Lucena. “A Casa de Banhos, além de ser confortável, possui uma beleza incomparável que traz para o público um clima afrodisíaco. Aqui tenho boas lembranças também. Para conversar, ele também é recomendável”, comenta Januária com 11 anos de relacionamento.
A privacidade é outro quesito de suma importância quando o assunto é lugar especial. Para Olga Carolina e Mateus Leite, o Okara (bar beira-mar de Piedade) é um dos melhores ambientes para conversar e não se interrompido com ‘mil pessoas’ passando. O som ao vivo, com um repertório variado, também é um bom atrativo para os casais. O bar, antes do racionamento de energia, já era escuro, garantido um clima mais intimista, no qual os pombinhos se tornam irreconhecíves .
OUTROS –- Não são só os bares que trazem boas lembranças. Muitas vezes, outros locais não são revelados para evitar que ‘a ou b’ descubram. Cenários como casas em praias ou no campo estão presentes nas histórias de amor. Uma pequena cidade do litoral de Pernambuco, São José da Coroa Grande, pode deixar marcas para uma vida toda. “Minha história de amor começou na praça da cidade. Se eu for contar o que mais nos marcou seria impossível porque cada canto é uma história. Desde a casa abandonada ao bar da praia. Ir comemorar lá seria ideal mas a distância e as condições financeiras não permitem”, conta Romena Medeiros que namora João Almeida há dois anos.
Os amores de verão sempre deixam suas marcas, mesmo quando passam. Até as confusões bem- resolvidas valem a pena ser lembradas como o caso de Luciana Moura e Roberto Ângelo. “A Pousada Aquarius, em Tamandaré, é muito importante para nós, nela resolvemos nosso namoro”, relembra Luciana.
Outro ambiente que traz boas recordações, mesmo sem um cenário atraente, são os motéis. Prova disso é a superlotação no Dia dos Namorados. Frases como: “Um lugar especial é entre quatro paredes, onde só os objetos possam estar próximos a nós”, foram as respostas mais comuns.
ROLO- Segundo o poeta Drummond: “Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.”
Quem concorda que namorar é uma difícil conquista são aqueles que se encontram em uma relação indefinida, os chamados, rolos. Dia dos Namorados, algumas vezes, pode ser o início de um namoro, para aqueles que querem algo mais sério. A dúvida mais constante é: “dar ou não o presente ao ‘rolo’?”. Atitude que implica dois riscos. Quem dá o presente pode ser chamado de ‘iludido’ ou o presente ser considerado o início de um romance. Essa segunda opção foi o que ocorreu com Suzana Mont’Alverne, que já vinha a um certo tempo ‘ficando’ com Roberto Bruto. O Dia dos Namorados foi a data escolhida para o xeque-mate. “Dei um presente e o convidei para jantar. Daí perguntei: estamos namorando ou não? e ele respondeu: a partir de hoje”, conta Suzane.
Mas nem sempre a história tem final feliz. Esse dia em que a cidade se torna recheada de outdoors com corações e as lojas apresentam mil ofertas não é tão adorável para todos. “É horrível. Principalmente quando você fica com uma pessoa cerca de 20 vezes e não sabe se marca algum encontro. Por mais que se tenha intimidade, sempre existe o risco de ele pensar que o convite é uma pressão. O pior ainda é levar um fora”, conta Aleixa Santos. Em contrapartida, Rodrigo Paes dá um conselho. “Não há Dia dos Namorados para os enrolados ou ficantes. Então nada de pressão, se fosse namoro já teria sido estabelecido antes desse dia.”