O caçula Ralf Schumacher deixou o primogênito para trás e ganhou o GP de Montreal, ontem. O brasileiro Barrichello não terminou a prova
MONTREAL, Canadá – Michael Schumacher caminhava para o pódio do GP do Canadá, ontem, quando parou a poucos metros da zona de premiação. De repente, talvez reflexo de um estalo, o alemão parou, deixou o piloto de trás passar e ainda lhe deu um tapinha nas costas.
Ralf Schumacher agradeceu e subiu ao ponto mais alto do pódio. Michael, resignado, caminhou para o seu lado direito. E, assim, a família Schumacher conseguiu mais um feito histórico: pela primeira vez na categoria, dois irmãos fizeram dobradinha em uma etapa do Mundial.
“Estou muito contente. Esse é um dia muito especial não só para meu irmão mais novo, mas para toda a nossa família”, afirmou Michael, 32. “Sempre luto pelas vitórias, mas se é para outro piloto vencer, que seja o Ralf.”
“Desde a época em que corríamos de kart, nossas disputas sempre foram honestas. Hoje (ontem) foi assim de novo”, declarou Ralf, 25, que obteve sua segunda vitória na categoria.
Desde a largada, a disputa pela primeira posição foi monopolizada pela família. Na pole, Michael manteve a ponta, mas sempre perseguido de perto por Ralf.
A pequena folga que o tricampeão conseguiu na pista foi pulverizada na 20ª volta, quando Juan Pablo Montoya e Rubens Barrichello se envolveram em um acidente, forçando a entrada do safety-car.
Ralf só assumiu a ponta na 46ª volta, quando o tricampeão entrou nos boxes. Com um ritmo muito forte, o piloto da Williams deu cinco voltas voadoras, batendo sucessivamente o recorde da pista. Seu objetivo era conseguir margem para fazer seu pit stop e retornar à pista na liderança, o que aconteceu na 51ª volta da corrida canadense.
A partir de então, Ralf só precisou se manter na pista. Quando cruzou a linha de chegada, 18 voltas depois, o caçula dos Schumacher tinha mais de 20 segundos de vantagem sobre o irmão.
Ralf, que teve seu desempenho criticado por Frank Williams durante toda a semana passada, também se lançou na disputa pelo Mundial de Pilotos e aproveitou para dar o troco no patrão.
“Se vocês querem saber se penso no título, a resposta é sim”, afirmou, aos repórteres em Montreal. “E se meu carro não tivesse quebrado tanto neste ano, estaria mais próximo do meu irmão.”
Schumacher, o primogênito, lidera a temporada, com 58 pontos. Schumacher, o caçula, é hoje o quarto colocado, com 22.
“Ainda bem que eles não têm mais nenhum irmão”, disse Mika Hakkinen, terceiro colocado, com um sorriso amarelo.