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COMPORTAMENTO II
Namoro com um toque virtual

Relacionamentos começados pela Internet vencem as barreiras do preconceito e mostram que podem, sim, sobreviver e gerar belas histórias de amor

Até conhecer o estudante de engenharia civil Flávio Marques, a professora de educação física Cyntia Moura ouvia as histórias sobre namoros pela Internet e não acreditava. Entrava em chats sem intenção de encontrar sua alma gêmea, mas conheceu Flávio e marcou um encontro no Shopping Tacaruna.

“Não tinha visto a foto dele e fui procurar pela descrição da roupa. Parecia que no dia todos os homens vestiam calça clara e camisa azul”, lembra. “Não parava de tremer”. O nervosismo inicial deu lugar a um namoro sério que, depois de seis meses, virou noivado. O casal pretende juntar as escovas de dentes no ano que vem.

O estudante de ciências contábeis Edmilson Feliciano da Silva foi outro que conheceu sua namorada Cida Lopes no bate-papo do UOL. “Não entro na Internet na busca de outra pessoa, mas nesse caso as coisas aconteceram naturalmente”, explica. Edmilson admite que encontrar ao vivo uma pessoa que só conhecia através da tela do computador é uma situação estranha. “Resolvemos nos encontrar na Universidade Católica, um lugar público e movimentado”, recorda.

Os dois continuam freqüentando salas de chat, mas preferem conversar apenas com os amigos. Segundo Edmilson, eles não sentem ciúme nem temem que o parceiro tecle com outra pessoa desconhecida. “Estamos felizes por termos nos conhecido de uma forma incomum”, comemora.

Outro que tem histórias divertidas para contar é o estudante de computação Luís Otávio Peixoto. Depois de muita conversa via mIRC, ele convidou a atual namorada para ir ao cinema. “Carolina chegou uma hora atrasada, achei que ela tinha desistido e fui ver o filme sem ela”, conta.

Eis que, na saída do cinema, a garota está esperando por ele. Resultado: Luís teve que pegar sessão dupla para ver “Dançando no Escuro”, de Lars Von Trier. “Depois descobri que ela sempre chega atrasada em qualquer lugar e acabei me acostumando”, completa.

Mais curiosa foi a forma como a estudante de design Silvia Guimarães conheceu o músico Zé Guilherme, seu namorado há um ano e meio. Depois de assistir a um show da banda Supersoniques, em que ele toca baixo, ela enviou um e-mail emocionado se declarando fã.

Depois de muitas trocas de mensagens e papos pelo mIRC, houve quase um mês de saídas diárias até engatar o namoro. Hoje, as conversas por chat ficaram escassas porque o casal se encontra bastante ao vivo. “Mas sempre quando um encontra o outro online, pergunta: ‘namorando na Internet, né?’”, diverte-se.(R.A.)

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Jornal do Commercio
Recife - 06.06.2001
Quarta-feira