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COMPORTAMENTO III
Quando a história iniciada pela Internet não dá certo

Engana-se quem pensa que basta entrar na Internet para encontrar o príncipe encantado. Como nos namoros iniciados na vida real, há riscos de ilusões e dores de cotovelo depois da bonança. A promotora de eventos Carolina (nome fictício) que o diga: envolveu-se com um catarinense casado, terminou seu próprio casamento de quatro anos e sofreu horrores ao se separar do internauta.

“Você se apaixona e desapaixona muito rapidamente. O sentimento é tão fugaz quanto a velocidade da Internet”, opina. Carolina conheceu o programador visual Carlos (nome fictício), de Santa Catarina, depois de se cadastrar no site Almas Gêmeas. Mesmo com a distância, ela resolveu investir na intensidade do relacionamento.

Encantada com a empatia entre os dois, arrumou as malas e se encontrou com ele duas vezes, em clima de lua de mel. “Ficamos sem graça por dez minutos e depois foi como se nos conhecêssemos há quinhentos anos”, lembra. Porém, as promessas de Carlos de trocar alianças não saíram da tela. Dois anos depois, a separação do namorado virtual ainda dói.

Sua vida se desequilibrou, mas ela acha que o namoro foi apenas uma gota d'água para que seu casamento, já desgastado, terminasse. “Nunca fui tão amada na vida como com Carlos. Ainda acho que nossa história não acabou”, suspira. Hoje, Carolina considera a Web uma válvula de escape. “Para passar para o real é preciso sair da Internet, onde só se tem o melhor da pessoa”, explica.

SEM MÁSCARAS – Para a psicóloga Luciana Nagalli, a Internet facilita o aparecimento da fantasia. “É muito mais fácil se abrir e deixar aflorar os desejos em frente ao computador”, considera. O problema aparece quando a fantasia é levada mais à sério que a realidade, como no caso de pessoas que criam uma imagem mais agradável que verdadeira para deslumbrar o outro.

Por outro lado, a psicóloga acredita que a Web pode ser um instrumento útil para estabelecer novos contatos. “Com menos críticas e cobranças, é possível se relacionar usando menos máscaras”, explica. Segundo ela, é essa leveza nas relações que ajuda os namoros inciados na rede a darem certo. “Livres de preconceitos, as pessoas se sentem mais seguras”, explica. (R.A.)

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Jornal do Commercio
Recife - 06.06.2001
Quarta-feira