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ATENTADO EM OKLAHOMA
McVeigh diz que no inferno vai ter muita companhia

McVeigh semeou a destruição em Oklahoma City, em 19 de abril de 1995, ao explodir uma bomba em um prédio federal, causando a morte de 168 pessoas, incluindo 19 crianças e ferindo outras 600. Ele vai ser executado hoje

por PAULO SOTERO
Agência Estado

WASHINGTON – Timothy James McVeigh, 33 anos, o ex-soldado condecorado da Guerra do Golfo responsável pelo maior ato de terrorismo da história dos EUA, pediu às autoridades que não divulguem o que comeu em sua última refeição antes de sua execução por injeção, marcada para hoje, na prisão federal de Terre Haute, Indiana, às 9h (hora de Brasília).

Ele também não quer que seus advogados revelem o destino final de suas cinzas. Numa série de cartas publicadas ontem pelo jornal de sua terra natal, o Bufallo News, no Estado de Nova York, McVeigh escreveu que considerou a possibilidade de pedir que elas fossem espalhadas no monumento em memória das 168 vítimas, entre elas 19 crianças, do atentado a caminhão-bomba que cometeu no dia 19 de abril de 1995 contra o edifício federal Alfred P. Murrah, em Oklahoma City. Mas disse que mudou de idéia depois de decidir que isso seria demasiadamente vingativo demais, cru e frio. McVeigh disse também que não teme a execução. Agnóstico, afirmou que improvisará e adaptará se existir vida depois da morte. “Se for para o inferno, terei muita companhia”, escreveu. Negou a autoria do ataque durante o julgamento que o condenou à morte, em 1997. Mas confessou ser o responsável numa série de entrevistas, nas quais justificou o atentado como um ato da guerra pessoal que declarou contra o Governo após as desastrosas ações da polícia federal americana contra um integrante de uma milícia, em Rudy Ridge, Idaho, e os membros de um culto messiânico em Waco Texas. O atentando de Oklahoma ocorreu no dia do segundo aniversário da tragédia de Waco, em que morreram mais de 80 membros da seita. McVeigh disse que espera ser lembrado como um combatente contra a opressão do Governo, na mesma categoria de John Brown, abolicionista condenado por traição e executado na forca em 1959, um ano antes da eclosão da Guerra Civil americana.

Nas cartas publicadas ontem, McVeigh disse que o ataque foi uma tática legítima mas mostrou, pela primeira vez, uma ponta de remorso. “Lamento que as pessoas tenham tido que perder suas vidas, mas essa é a natureza do monstro”, escreveu ele, referindo-se não a si próprio, mas a sua fantasiosa guerra solitária contra o Governo. Em mais de 70 horas de entrevistas aos jornalistas Dan Herbeck e Lou Michel, do Bufallo News, que serviram de base para o livro American Terrorist, McVeigh havia classificado a morte das 19 crianças como dano colateral.Para os sobreviventes e parentes das vítimas, a frase não serviu de consolo. Poucos esperam que ele peça perdão pelo que fez se usar seu direito de condenado a fazer uma declaração final antes de receber os três elementos químicos mortais.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.06.2001
Segunda-feira