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VIAGENS A DOIS III
A primavera é mais bonita aqui

Dizem que só se deve conhecer Praga depois de visitar todas as cidades da Europa. De tão bonita, ela deixaria todas as suas vizinhas em desvantagem. Os mais românticos concordam

por LUIZA BARROS

Se existisse uma relação direta entre as estações do ano e as cidades do mundo, a primavera, sem dúvida, seria dedicada à Praga, capital da República Tcheca. Não se trata, ao contrário do que podem pensar alguns, apenas de uma questão histórica, relacionada à famosa manifestação estudantil contra o domínio soviético, em 1968, chamada “Primavera de Praga”. Está além. De maio a julho, quando a temperatura local sobe, as ruas e os campos da cidade se enchem não só de flores, mas de gente alegre e descontraída. É o cenário perfeito para viver um conto de fadas, digo, de Praga. Com direito a castelo, casais apaixonados e, claro, final feliz.

O Castelo de Praga, que começou a ser construído no século nove, tem meio quilômetro de comprimento e abriga ruas, alamedas e becos. O espaço, onde residiram todos os reis da região, hoje funciona como sede de governo. É lá que o presidente, Vacláv Havel, trabalha. Os sentinelas, que não se mexem, despertam um ar curioso. Ao meio-dia também há a troca da guarda, para aqueles que curtem rituais desse tipo.

Na frente do castelo, fica a mais importante das tantas pontes (são muitas) que cobrem o Rio Moldávia: a Ponte Carlos IV. Ao longo de toda sua extensão, há estátuas sacras espalhadas de um lado e do outro. Um passeio de mãos dadas sobre a ponte, considerada o principal calçadão da cidade, certamente é uma boa opção para os casais apaixonados. O entorno da construção também é um bom complemento.

“Depois de ficarmos deslumbrados com a ponte, achamos uma pier, que é uma espécie de flutuante, bastante romântico. É um boa escolha para um final de tarde”, diz a pedagoga Florense Mont’Alverne, 52 anos. “É ótimo sentar nas mesinhas para tomar bons vinhos”, acrescenta o marido, o geólogo Alarico Mont’Alverne, 58. Casados há 30 anos, Florence e Alarico, que viajam anualmente ao exterior, estiveram na capital da República Tcheca em julho 98, por ocasião da comemoração do aniversário de 50 anos dela. “Viajar é fundamental para sair da rotina e relaxar, além de conhecer novas culturas e pessoas diferentes”, analisa Florence.

BRASILEIROS E CERVEJA – Além da Ponte Carlos IV e do pier subjacente, Florence considera Praga especial pela sua intensa produção cultural. “Praga inspira cultura de todos os modos, seja na música, na arquitetura ou nas pessoas. Os artistas populares, que enchem as ruas e praças, são espetaculares. Os concertos ao ar livre também”, declara a pedagogia, que não deixa de citar a Praça da Cidade Velha, obrigatória não só pela riqueza arquitetônica, mas também pela boemia sugerida pelo ambiente. “É um verdadeiro museu de arquitetura e história ao ar livre. Além disso, tomar um café circundado por aquele cenário inusitado é uma maravilha”, ensina.

Para criar um clima ainda mais ‘intimista’ entre o casal, o café da Praça da Cidade Velha pode ser substituído pela Pilsner Urquell, a loira gelada de lá. A cerveja nasceu na República Tcheca – as cidades como Pilsner e Budweiser são testemunha disso – e os tchecos não deixaram morrer a tradição: são os maiores consumidores da bebida do mundo. A um preço bem barato(um copo de pivo, cerveja em tcheco,custa menos de US$ 0,30), dá para tomar um bom ‘porre’ com o amado(a). Não poderia haver ocasião mais apropriada para fazer declarações de amor

Finalmente os brasileiros começam a descobrir os encantos da terra natal de Kafka. De acordo com o Consulado Geral da República Tcheca no Rio de Janeiro, responsável pelo Sudeste e Nordeste brasileiros (existe também um Consulado Geral da República Tcheca em São Paulo e a embaixada, em Brasília), no ano de 99, 1.640 pessoas tiraram visto para aquele país. Em 2000, esse número cresceu para 2.875.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.06.2001
Quinta-feira