Principal vantagem para o consumidor será a redução do tempo de espera. A GM calcula que o prazo de entrega de seus modelos cairá dos atuais 18 dias para cerca de sete dias
Pernambuco está se transformando no pólo distribuidor de veículos do Norte e Nordeste. Duas montadoras, a General Motors e a Fiat, já assinaram contratos com o Governo do Estado para instalar suas centrais de distribuição no pátio de veículos do Complexo Industrial e Portuário de Suape. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco busca entendimentos com outras montadoras para atraí-las também para Suape. Volkswagem e Toyota devem ser as próximas a assinarem os contratos com o Governo do Estado.
As centrais que já foram confirmadas irão trabalhar com os carros nacionais, com destaque para os populares. Por enquanto não haverá redução no preço do frete, já que os veículos serão trazidos por carretas, as chamadas cegonhas. A utilização da navegação de cabotagem não foi descartada, mas ainda depende de negociações – principalmente com os cegonheiros, que são os grandes opositores da cabotagem.
Enquanto a cabotagem não vem, uma das idéias para aproveitar melhor a estrutura logística das centrais é concentrar, em Suape, a chegada dos modelos importados. Assim, os mesmos caminhões que trarão os modelos nacionais voltam com os importados destinados às demais regiões.
No caso da central da Fiat, os principais modelos que serão descarregados em Suape são o Brava e o Alfa Romeo. Da GM, devem chegar à Suape as unidades do utilitário Tracker, destinadas ao mercado regional – já que o modelo é trazido da fábrica da montadora na Argentina – e o Omega, que é importado da Austrália.
Juntas, as duas montadoras planejam trazer cerca de 90 mil carros por ano para abastecer o mercado regional, o que dá uma média 7,5 mil carros por mês. Para a GM, o foco é o Celta, cujas vendas dispararam no Nordeste superando as expectativas da própria montadora. A central de distribuição da GM, que contará com 60 mil metros quadrados, terá 60% de sua área reservada para o modelo. A empresa espera receber aproximadamente 300 carretas vindas do Sul por mês.
A Fiat promete manter um estoque de todos os modelos produzidos pela fábrica da montadora em Betim (MG) em seu pátio. O superintendente da montadora na América Latina, Gianni Coda, promete iniciar a operação até o início do próximo mês. A expectativa da direção da empresa é de que, inicialmente, sejam movimentados cerca de 40 mil carros por ano. Para Coda, o aumento desse volume vai depender exclusivamente das vendas das concessionárias na região.
VANTAGEM – Apesar de as mudanças nas operações das empresas não significarem redução imediata do preço do frete (que representa R$ 1 mil do preço de um modelo popular), as montadoras afirmam que o consumidor ganhará com a redução do prazo de entrega.
O vice-presidente da divisão brasileira da GM, José Carlos Pinheiro Neto, afirmou – em sua visita à Suape, no final de maio – que a central de distribuição reduzirá o tempo de espera dos atuais 18 dias para cerca de sete dias. Para os empresários locais, outras vantagens virão com o tempo. Principalmente depois que outras montadoras também passem a operar no porto.