Saiba interpretar os sinais que o seu carro dá quando consome um combustível de origem duvidosa. A regra é ser criterioso na hora de abastecer
por INES ANDRADE
Se o seu veículo estiver com um barulho estranho, do tipo “batendo pino”, “engasgando” e com dificuldades para funcionar pela manhã, o diagnóstico poderá ser combustível adulterado. “Esses são os primeiros sinais de que o carro está sendo abastecido com combustível de qualidade duvidosa”, alerta o gerente de vendas da Distribuidora Petrobras (BR) no Recife, Sóstenes Albuquerque. Outros sintomas são a queda do desempenho, o aumento do consumo e um odor diferente da queima do combustível.
O consumidor deve ser criterioso quando for abastecer o veículo, pois os dados sobre a adulteração no Estado são assustadores. “Recife é o segundo maior mercado de adulteração de gasolina no País, perdendo apenas para São Paulo. Pelo menos 28% da gasolina consumida em Pernambuco são adulteradas”, frisou o gerente de Território da Esso no Recife, Jabes Tenório, com base em informações da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Tenório explica que a gasolina não pode conter produtos como metanol, Isopropanol e Tert-Butano. Além disso, não pode ter mais de 22% de álcool anidro. Como conseqüência dessa mistura “venenosa”, os componentes do veículo ficam desgastados, a injeção eletrônica pode queimar e o bico injetor pode entupir. O sistema de injeção do motor tem sua vida útil reduzida em até 50%. Em sua fase terminal, o motor do automóvel termina “batendo”.
As distribuidoras de combustíveis orientam o consumidor a abastecer em postos que estejam com identificação de algum programa de qualidade. O estabelecimento só pode participar dos programas se o seu combustível for aprovado em testes periódicos.
Cada distribuidora tem a sua campanha. “No Brasil, foram investidos R$ 100 milhões nesses programas”, informou o gerente de Vendas/Nordeste da Ipiranga, Paulo Edilson Dutra. O montante é relativo a investimentos da Ipiranga, Texaco, Shell, Petrobras e Esso. Outra dica é abastecer o automóvel sempre no mesmo posto, mantendo o controle da procedência do produto.
De acordo com o diretor Executivo da Max Petróleo, Adolpho Azevedo, a ANP obriga os estabelecimentos comerciais a manter um kit para testes de qualidade do combustível e uma pessoa qualificada para realizá-los. “O consumidor tem o direito de exigir esses testes”, informa.