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TECNOLOGIA II
Inovação gera polêmica no automobilismo

Muitas das inovações tecnológicas apresentadas pelas escuderias são proibidas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) de serem utilizadas nas pistas. Uma das proibições mais polêmicas aconteceu no início da década de 90, com a McLaren-Mercedes. A bronca toda foi com a sigla ESP que, em português, significa Programa de Estabilidade Eletrônico.

A tecnologia foi banida com o argumento de que o piloto se tornava um mero ‘coadjuvante’ no comando do carro. Há duas provas foi permitida a volta do ESP, pois se passou o período de patente e as outras escuderias puderam, finalmente, desenvolver sistemas parecidos.

A proibição da FIA não impediu que a Mercedes Benz trouxesse a novidade para seus carros. Até mesmo o ‘caçula’ da família, o Classe A, possui o controle eletrônico. O ESP é a central computadorizada de mais quatro sistemas eletrônicos de dirigibilidade, batizados pelas siglas: ABS, ASR, BAS E EBD. O ESP funciona como o cérebro das rodas. Na prática, o carro ‘lê’ a situação do veículo com relação à pista e velocidade e, por comandos automáticos, traz a estabilidade ao veículo em situações extremas como nos casos de derrapagem. Ou seja, o computador toma conta da situação relegando o motorista, realmente, ao papel de coadjuvante.

A primeira sigla, o ABS (Antilock Brake System), é a mais conhecida de todos. Ela funciona em ‘parceria’ com o BAS (Brake Assist System) e com o EBD (Eletronic Brake Distribution). Juntos, os os três controlam o sistema de frenagem do carro. O ABS é um dispositivo que não deixa as rodas travarem, mesmo quando o motorista ‘atola’ o pé no freio, em casos de parada brusca. Isso serve para o carro não derrapar e, dessa forma, mantê-lo sob controle. É muito comum em todas as montadoras.

O BAS é um dispositivo que auxilia o condutor em situações de susto. Dependendo da velocidade com que o pedal foi acionado, o BAS ativa o freio em toda sua intensidade, mesmo que a pessoa não o tenha apertado até o final. Em situações rápidas, esse recurso faz a diferença. Aliado ao ABS, o carro tem um freio rápido que no entanto não trava o carro.

O EBD permite o freio independente nas quatro rodas. Ideal para ocasiões como derrapagem. Se o carro deslizar nas rodas traseiras o computador automaticamente compensa com o freio da dianteira. Pelo balanço do carro, o sistema aplica o breque em qualquer uma das rodas para dar estabilidade em qualquer situação de pista.

Fechando o ‘pacote’ eletrônico, vem o ASR. Trata-se de um dispositivo anti-derrapante que dosa a energia que é mandada para as rodas. Ou seja, mesmo que o motorista aperte todo o acelerador e o solte rapidamente, para dar largada no carro, as rodas não vão deslizar no chão. Com isso, o veículo tem um arranque muito maior. No grid de largada da Fórmula 1 um dispositivo como este é uma ‘mão na roda’. O ESP coordena de uma só vez todos esses equipamentos.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.06.2001
Domingo