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Entusiasmo silvínico POR FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES Sou radicalmente convencido: inteligência privilegiada não é encontrada apenas nos graduados e pós-graduados; inúmeros deles sem um mínimo de criatividade inventiva, o título de doutor servindo apenas para camuflar comportamentos apenas verborrágicos, filhos de uma pauta. E a prova de tal convencimento, eu encontro nos bate-papos que mantenho com o João Silvino da Conceição. Um nordestino cidadanizado por inteiro e que muito orgulho dá aos seus amigos, que dele se aproximam para aprender e apreender o que passa desapercebido aos toleirões de sempre. Outro dia, na porta do consultório do Luciano Teixeira, um talento médico pernambucano reconhecido mundão afora, encontrei o Silvino conversando com militantes de um movimento denominado Pernambuco Sempre Brasil, que tem por objetivo incentivar os feitos e fatos do nosso estado, favorecendo a emersão de novos amanhãs para os daqui. E ele estava entusiasmado como nunca: acabara de assistir o audiovisual Gilberto Freyre, o redescobridor do Brasil, produzido pela Massangana Multimídia Produções, da Fundação Joaquim Nabuco (FJN), com roteiro e direção de Nilza Lisboa e Albuquerque Pereira. Um trabalho que nada fica a dever ao que há de melhor no cenário nacional, que mostra trechos das melhores entrevistas concedidas pelo escritor às emissoras de televisão, desde o início ds anos 70 até meados do decênio seguinte. Ratificando o pensar de Marcel Proust O ato verdadeiro da descoberta não consiste em descobrir novos territórios, mas sim vê-los com novos olhos Gilberto Freyre, ao juntar a cultura científica com o saber prático, possibilitou uma compreensão mais fecunda do Brasil. E com Casa Grande & Senzala fincou os alicerces de uma produção intelectual que necessita ser mais estudada, para se evitar, no pensar do crítico Wilson Martins, as análises daqueles que possuem ideologias vulgares, muito próprias das inteligências simplistas, aquelas que não conseguem ir além das verdades de manual. Impressionado com o entusiasmo do Silvino, fui assistir o audiovisual dirigido pela Nilza Lisboa, uma das inteligências pensantes da Fundação Joaquim Nabuco, uma instituição que me ensinou a ser mais holisticamente pesquisador. E verifiquei que o Silvino estava coberto de razão. O audiovisual é bom demais, muito bem produzido, com uma sonorização primeiromundista e uma interpretação impecável de Rubem Rocha Filho, um gota serena na arte de interpretar, em versos de cordel, o João Redondo, um personagem do mamulengo, ousadamente inteligente. Que os dirigentes nacionais percebam a importância pedagógica desse audiovisual sobre Gilberto Freyre, o gênio recifense que já em 1937 denunciava alguns sintomas de uma emergente desestruturação regional. E que se multipliquem as ocasiões de se redescobrir este Brasil continente, antes que terceirizem a sua soberania, as plataformas pátrias indo para o brejo. A Elide Rugai Bastos, do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Campinas, dá um testemunho sem meias palavras: Casa Grande & Senzala é não apenas um grande livro de sociologia brasileira, mas, sem dúvida, um monumento da literatura nacional. O João Silvino da Conceição, peito estufado, diz que assina sem pestanejar a declaração da pesquisadora da Unicamp. No que eu, sempre ao lado do João, assino embaixo, com muita saudade dos meus tempos nabuco-gilbertianos. Fernando Antônio Gonçalves é professor universitário e pesquisador social |
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