![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
MÚSICA O rei do blues na versão nacional
O veterano Celso Blues Boy faz show pela primeira vez no Recife e mostra que ainda tem muito fôlego para levantar a platéia de aficionados POR MARCOS TOLEDO Cada reino tem o monarca que merece. Se Roberto Carlos se tornou o rei da Música Popular Brasileira, o guitarrista Celso Blues Boy é não somente regente mas também pai do blues no patropi, por assim dizer. Num momento em que o gênero ascende na cena musical recifense, o público da cidade terá a oportunidade de conferir de perto, hoje, no Downtown Pub e pela primeira vez essa lenda viva do blues nacional. E ninguém melhor que Celso para dar o pontapé inicial no arrojado projeto Recife Blues, parceria da 3Pontos Comunicação com o produtor Giovanni Papaléo, com apoio da Medial Saúde. Anos 60. Numa época em que o guitarrista Eric Clapton já era considerado deus, um distinto senhor viajou para os EUA donde, entre outras coisas, trouxe um pacote com 50 LPs de diferentes guitarristas. Em Blumenau (SC), seu sobrinho-neto gostou especialmente de um disco tocado por um negão e tentava acompanhá-lo na guitarra. Passado um tempo, o jovem tocou uma das músicas numa festa e os amigos revelaram para ele o nome daquele ritmo: era o blues. Depois, eu mostrei o disco e eles me disseram: É o B.B. King. Foi assim que eu soube que tocava blues. É dessa forma que o guitarrista Celso Ricardo Furtado de Carvalho define a gênese de seu relacionamento com o ritmo norte-americano. O progresso daquele jovem blueseiro se deu de maneira muito rápida. Em menos de dois anos, aos 16 de idade, começaria a sua trajetória profissional; no seguinte, mesmo tocando MPB e outros ritmos da terrinha, sempre recorria aos acordes do tal negão. Celso atribui o seu apelido, Blues Boy, a essa influência direta do blues. Ainda aos 17 anos, Luís Carlos Sá da dupla com Guarabira percebeu a insistência e atribuiu ao seu guitarrista a alcunha inspirada em B(lues) B(oy) King. Eu não gostava no início, conta Celso. Mas depois, até a a minha avó, que me criou, já me chamava de Blues Boy! O guirarrista lembra que, da curtição até a sedimentação de uma cena nacional, tudo teve início nos anos 70, quando foi inaugurado o primeiro pub de blues no Brasil, o Apalooza. Era uma fila enorme. Foi ali que começou o primeiro público. Segundo Celso, ele tocava rock e blues, mas, com este último, as pessoas ficavam admiradas. Foi a época do hit Aumenta que isso aí é rocknroll. A partir de então, a carreira do músico deslanchou. Desde então, os quase 30 anos de carreira de Celso Blues Boy foram marcados pela ousadia. A primeira, quando decidiu cantar blues em português lembremos-nos que, até o início dos anos de 90, blues ou rock em português ainda eram ouvidos com um pé atrás. Sempre achei o nosso idioma muito rico. Me apeguei a isso, diz, com simplicidade. Quando surgiu o Blues Etílicos, grupo do qual sou padrinho, insisti nisso. O B.B. King diz que gosta do meu blues porque é blues com algo diferente. O blues não é americano, pertence à alma do ser humano; o blues foi criado por escravos, então, como escravizar o blues a uma língua, um país?, opina, quase sem parar. B.B. King, sua principal influência, Celso conheceu pessoalmente nos anos 80, no Brasil. Uma revista me convidou para fazer umas perguntas para ele. Eu dei meus discos, ele gostou e me convidou para ir aos Estados Unidos. Nasceu uma amizade muito boa, recorda. Juntos, os dois bluesmen já tocaram por diversas vezes no Brasil e na Europa. Hoje em dia, Celso Blues Boy diz que se sente orgulhoso de sua carreira artística. Como justificativa, cita a Enciclopédia Larrousse que, na versão nacional, colocou um verbete citando-o como a pessoa que inseriu o blues no Brasil. Deus me ajudou muito. Só isso valeu a pena ter vivido, louva. Apesar do tom de veterano, Celso, com seus 45 anos de idade, ainda tem muito o que mostrar para os fãs brasileiros do blues. Após oito discos, lançou recentemente o álbum Vagabundo Errante, pelo próprio selo, o Blues Boy Records. E avisa que acabou de gravar as músicas do próximo trabalho. Serviço Show com Celso Blues Boy e banda. Abertura: Uptown Band. Hoje, a partir das 23h30, no Downtown Pub (fones: 3424.5773/6317. Ingressos individuais: R$ 15 (salão) e R$20 (mesa), à venda nas lojas Vivace e no local |
|