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TEATRO
Lampião Jr. e Maria Bonitinha recontam o mito do cangaço

Peça que Januária Cristina estreou em São Paulo chega ao Recife e procura mostrar a figura mítica de Virgulino como vítima de um ambiente cheio de injustiças sociais

Geralmente, os personagens mitológicos da história são controversos. Se mostram heróis e, ao mesmo tempo, bandidos, amantes e assassinos, humanos e insensíveis. Repassar esse universo díspar para uma criança é quase tão difícil como transformar o mito em um homem comum. E foi com essa tarefa que, há dois anos, a pernambucana Januária Cristina Alves lançou a história Lampião Jr. e Maria Bonitinha. O enredo tem como base uma situação hipotética na vida de um dos maiores mitos brasileiros, Lampião: sua infância e as influências que ele teve até crescer e se tornar um tipo de Robin Hood no Nordeste do Brasil.

O enredo passou dois anos em cartaz em São Paulo e, agora, chega ao local de origem de toda essa história: o Nordeste. A trupe da peça já passou por Fortaleza, Natal, Campina Grande e Serra Talhada e chega hoje ao Recife com oito atores (interpretando 21 personagens).

Na adaptação da vida dessas figuras para o público infanto-juvenil, a direção da peça decidiu investir no ambiente onde vivia Lampião quando criança e de que forma esse ambiente o levou a se transformar em um bandido. “A peça procura desmistificar essa coisa da má índole de Lampião e mostrar que ele também foi uma criança medrosa, que brincava como qualquer outra”, conta Kenned Oliver, ator, produtor e assistente de direção da peça.

O princípio da história se dá pela notícia que “o Sertão vai virar mar e o mar vai virar Sertão”. O jovem Lampião escuta o ‘boato’ e, indignado com o rumor de que sua casa vai ser tomada pelas águas, parte em busca de uma solução. Para isso, ele sai em direção à cidade grande cobrar ‘providências’ e, no caminho, precisa conquistar o amor de sua amada, Maria Bonitinha, e de seus amigos, Corisco e Creuzinha, além de enfrentar os bichos e mitos da mata, tais como Lobisomem e Curupira.Quando chega a seu destino, o pequeno Lampião ainda encara o descaso dos políticos e dos fazendeiros.

Serviço

Teatro Hermilo Borba Filho – Cais do Apolo, Recife Antigo. Hoje, às 16h, amanhã, às 10h. Ingressos: R$ 5

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Jornal do Commercio
Recife - 12.05.2001
Sábado