Em quase 20 anos de carreira solo, Celso Blues Boy fez algumas excursões pelo Nordeste, mas não lembra de haver tocado no Recife. O músico atribui isso ao fato de, desde os anos 80, a região haver criado seus próprios ídolos. “Talvez também pela dificuldade de grana.” De qualquer maneira, o guitarrista acredita também que o Nordeste tem a tendência de integrar o blues ao seu repertório, como forma de “intercâmbio”.
O “intercâmbio” que Celso faz hoje no Recife vai ser um show muito marcante. Isto porque se trata do primeiro com a nova banda, formada por músicos que tocam da maneira que o guitarrista pretendia há algum tempo. “Estamos ensaiando direto e vamos dar o máximo”, garante.
RECIFE BLUES – O show de Celso Blues Boy e banda marca também o início da parceria do produtor Giovanni Papaléo e do Downtown Pub com a 3Pontos Comunicação. Segundo Sérgio Teixeira, um dos diretores, o envolvimento com o blues começou quando a agência elaborou as capas dos CDs da cantora Clara Ghimel e do guitarrista Big Gilson.
O Recife Blues visa à promoção de shows mensais com bluesmen de renome no cenário nacional e no exterior. A programação, prevista até setembro, inclui nomes como Nasi (vocalista da Ira! e líder dos Irmãos do Blues), em junho; a banda Blues Etílicos, em julho; o norte-americano Bruce Ewan com o guitarrista carioca Big Gilson, em agosto; e o gaitista (também dos EUA) Peter ‘Madcat’ com os brasileiros Big Joe Manfra e Jefferson Gonçalves, no mês seguinte. Todos com abertura da Uptown Band. “A expectativa é muito boa, apesar do risco muito grande”, afirma Teixeira. “Mas Recife é carente de blues e há um público que se interessa nesse tipo de evento.”
O início do projeto, hoje, somente se tornou possível devido ao patrocínio da Medial Saúde, cuja conta publicitária nacional é de responsabilidade da agência pernambucana. O apoio a esse tipo de evento, porém, não é novidade para a empresa, que patrocina em São Paulo a casa de shows Bourbon Street, pela qual passou grandes nomes de referência no blues, de T.S. Monk a B.B. King. “E, mesmo antes do show do Celso, já recebemos telefonemas de empresas outras interessadas em co-patrocinar esses eventos”, comemora Teixeira.