O reggaeiro jamaicano Bob Marley emplacaria um hit mundial em Burn In, seu segundo álbum, via Eric Clapton, que gravou I shot the sheriff, em 1974. BurnIn seria o último disco dos Wailers originais. Bunny Livingstone e Peter Tosh partiriam para bem-sucedidas carreiras solo. Bob Marley reformulou os Wailers para ser sua banda de apoio.
A cada disco, e respectiva turnê para divulgá-lo mais o mito era incensado. Sem risco de hipérbole, pode-se comparar o Marley dos anos 80 com o Lennon dos 70. As atividades políticas e a música de ambos eram indissociáveis (John Lennon tornou-se admirador do jamaicano desde que escutou Catch a Fire).
Na Jamaica, Bob Marley não era considerado apenas um pop star, mas um herói nacional. Por seu engajamento, ele foi metralhado em sua própria casa, às vésperas de um concerto gratuito no qual se apresentaria com a finalidade de promover a paz nos guetos de Kingston. Depois do atentando, Bob Marley e os Wailers passaram 18 meses fora da Jamaica. O ‘exílio’ serviu para que ele se consolidasse definitivamente como superstar internacional.
Mesmo impregnada de louvores a Jah, a Ras Tafari, a ganja (a herva sagrada da religião), as canções de Marley conseguem ser universais. Uprising, o derradeiro disco, de 1980, é tecnicamente perfeito e musicalmente memorável. Ele estava no auge do seu poder criativo quando a doença começou a manifestar-se.
Foi sua crença que contribuiu para o alastramento do câncer que o matou, aos 36 anos. Acreditando que Jah, o Deus dos rastas, era mais potente do que os médicos, ele só procurou tratamento quando a medicina não podia mais curá-lo.
Bob Marley faleceu em um hospital de Miami, no dia 11 de maio de 1981, e foi sepultado na Jamaica com honras de herói nacional. Teve melhor destino do que o adorado Ras Tafari Makonnen, que morreu assassinado na Etiópia, em 1975. Seus algozes nunca revelaram que paradeiro deram ao corpo do octogenário Leão de Judá.