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CINEMA Coppola volta em toda a sua glória Vinte e dois anos depois, o cineasta esteve em Cannes para relançamento de Apocalypse Now, devidamente recauchutado e acrescido de 53 minutos POR KLEBER MENDONÇA
FILHO CANNES, França A manhã de sexta-feira na 54ª edição do Festival de Cinema de Cannes não teve cheiro de Napalm, mas começou com o ruído de helicópteros americanos e a voz de Jim Morrison e The Doors cantando The End, na antológica abertura de Apocalypse Now. O clássico de Francis Ford Coppola foi exibido fora de competição, no Grand Theatre Lumière, em cópia restaurada e remontada com 53 minutos adicionais. O filme, agora apelidado de Apocalypse Now Redux, volta a Cannes 22 anos depois de ter sido praticamente salvo ao ser premiado com a Palma de Ouro de 1979. O filme foi salvo porque Apocalypse Now teve um dos mais dramáticos processos de produção de toda a história do cinema. Permanece também a mais cara produção independente que o cinema já viu, feita com a garra e o dinheiro do cineasta mais bem-sucedido dos anos 70, não apenas artística, mas também financeiramente. Coppola ganhou muito respeito e dinheiro com O Poderoso Chefão e O Poderoso Chefão 2. Levou a sua primeira Palma de Ouro em Cannes com A Conversação (1974) e, cheio de entusiasmo, dinheiro e liberdade para fazer o que bem quisesse, partiu para adaptar Coração das Trevas (Hearts of Darkness), de Joseph Conrad, feito que Orson Welles havia tentado, nos anos 40, sem sucesso. A adaptação de Coppola traria a obra de Joseph Conrad para a Guerra do Vietnã. Willard (Martin Sheen), um capitão das forças especiais, recebe a difícil tarefa de subir o rio, rumo ao Camboja, e exterminar o Coronel Kurtz (Marlon Brando), que teria enlouquecido com o horror militarista, pensando ser um deus da selva e de sua própria comunidade alternativa composta por soldados renegados e nativos. O filme é dividido entre a épica viagem rio acima e o encontro entre Willard e Kurtz numa Guerra do Vietnã onírica e surreal. As filmagens foram realizadas nas Filipinas a partir de 1976. Durante a produção, o roteiro de John Millius era reescrito minutos antes de cenas serem filmadas, o ator principal (Harvey Keitel) foi substituído e toda as suas cenas tiveram que ser refeitas com o ator definitivo (Sheen). Um furacão destruiu cenários, guerrilheiros ameaçavam derrubar helicópteros da produção e Sheen sofreu um ataque cardíaco, paralisando as filmagens. A United Artists, distribuidora e parceira de Coppola no filme, chegou a marcar quatro datas de lançamento em 1978, mas o filme não ficava pronto. Coppola hipotecou até mesmo a sua casa depois de ter investido a sua fortuna pessoal no filme. A imprensa apelidou o projeto de Apocalypse Never. Tudo isso está no documentário Apocalypse de um cineasta (disponível em vídeo), dirigido pela esposa de Coppola, Eleanor. Teve Apocalypse Now a sua première mundial em maio de 1979, em Cannes, numa cópia considerada de serviço. Levou a Palma de Ouro (dividida com o alemão O Tambor, de Volker Schlondorff). A Palma foi a primeira grande manifestação de valor para o filme, que iniciou, em agosto do mesmo ano, uma carreira respeitável nas bilheterias, arrecadando US$ 31 milhões (custou USS $16 milhões). Mais importante que isso, é hoje tido como um dos grandes filmes do cinema. Tipicamente, o Oscar preferiu reconhecer, naquele ano, Kramer Vs. Kramer. Kramer Vs. quem? |
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