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VIOLÊNCIA
Policial civil receberá incentivo para reforçar combate ao crime

A investigação de homicídios vai ser descentralizada do Deprovida. A apuração será feita pelas delegacias da área onde o assassinato foi cometido

POR ROBERTA SOARES

Assustada com a impressionante estatística de 240 assassinatos praticados em média por mês na Região Metropolitana do Recife (RMR), a chefia da Polícia Civil de Pernambuco decidiu declarar guerra aos homicídios. Ainda este mês estará descentralizando as investigações dos crimes de morte do Departamento de Proteção à Vida (Deprovida) e devolvendo as apurações às delegacias situadas nos bairros onde ocorreram os assassinatos. Para driblar a falta de efetivo da maioria das 38 unidades policiais da RMR e garantir a execução do novo plano de ação, 275 agentes de polícia, 55 delegados e 55 escrivães irão ter uma jornada extra de serviço diariamente, dando suporte aos delegados titulares exclusivamente na apuração de homicídios.

A Polícia Civil pretende fazer com que o número de inquéritos instaurados nas delegacias seja equivalente à quantidade de corpos de vítimas de assassinatos que derem entrada no Instituto de Medicina Legal (IML). Estatística da própria instituição retrata bem a discrepância entre os dois dados: enquanto 830 homicídios foram contabilizados pelo IML nos três primeiros meses deste ano, apenas 93 inquéritos policiais foram remetidos à Justiça. “Os assassinatos são a nossa maior preocupação e quando assumimos o comando da Polícia Civil verificamos que o Deprovida estava tendo uma sobrecarga de serviço, o que dificultava a formulação dos inquéritos e, conseqüentemente, a solução dos crimes”, argumentou a chefe da Polícia Civil, Olga Câmara, que esteve em visita, ontem, ao JC, quando anunciou o programa de combate aos homicídios.

O novo plano de ação vai custar R$ 137 mil mensais ao caixa da instituição, dinheiro gasto para cobrir as despesas com as jornadas extras dos policiais. Cada delegacia distrital ou metropolitana terá um reforço de quatro agentes, um delegado e um escrivão, além de receber um dos 120 computadores já comprados pela Secretaria de Defesa Social. “Todos os homicídios praticados a partir de 1º de maio já serão investigados com esse reforço policial. E todos serão monitorados pelo gerente do Deprovida, José Belém de Oliveira, que dará um prazo de 30 dias para que cada delegado conclua as investigações. Quem não cumprir a determinação ou deixar de justificar o atraso na conclusão, poderá ser alvo de punição administrativa”, explicou o diretor de Polícia Judiciária, da Civil, Antônio Cavendish. A Delegacia de Homicídios ficará responsável apenas pelos casos de grande repercussão, como era sua função até 1998, quando foi criado o Deprovida.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.05.2001
Sábado