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CASO NARCISINHO
Polícia apura atentados contra comerciante

O diretor de Polícia Judiciária, Antônio Cavendish, designou ontem o delegado de Homicídios, Glaukus Menck, para investigar os atentados denunciados pelo comerciante Edilson José Belo da Silva. Ele foi apontado como um dos responsáveis pelo desaparecimento e morte do menor Narciso Ferreira dos Santos Neto, 11 anos, em 1991, no município de Carpina. Após sete anos preso no Aníbal Bruno, Edilson José foi libertado em setembro do ano passado, mediante decisão do Supremo Tribunal de Justiça. Desde então, segundo ele, já sofreu três atentados.

O último atentado aconteceu há 15 dias, na BR- 408, próximo à Carpina, quando o comerciante voltava para casa. De acordo com ele, dois homens armados, ocupando um Fiat Uno vinho, atiraram contra o veículo em que estava, um Opala. “O tiro pegou na coluna do carro bem próximo a minha cabeça. Eu joguei o carro para o acostamento e me fingi de morto. Depois que eles fugiram, fui atrás mas não consegui encontrá-los”, disse. Ele contou, ainda, que no ano passado quatro homens que estavam num Gol cinza trancaram o carro dele. O caso também teria acontecido na BR-408. Na ocasião, ocorreu um acidente, no qual ele sofreu apenas escoriações. Pouco tempo depois, a loja de produtos eletrônicos de Edilson José, em Jardim São Paulo, no Recife, foi atingida por cinco tiros, durante a madrugada.

A advogada do comerciante, Maria Lúcia Brandão, acredita que os atentados são conseqüência do resultado da última perícia realizada na suposta ossada de Narcisinho, encontrada seis meses após seu desaparecimento. “Os peritos constataram que a ossada pertence a um negro. Os verdadeiros responsáveis querem se vingar”, afirmou.

Narcisinho desapareceu quando voltava de um jogo de futebol, em Carpina. As investigações do ex-chefe do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil (GOE), delegado César Urach, responsável pelo inquérito, apontaram quatro responsáveis: o tio do garoto, Ronaldo Adelino da Costa, o comerciante Edilson José, o ex-policial civil José Agrício de Souza, além de Nivaldo Cavalcanti, que continua foragido. Apenas José Agrício permanece preso, porque cumpre pena de 16 anos por um homicídio praticado em Carpina, em 1988.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.05.2001
Sábado