POR DIANA MOURA BARBOSA
Mal se recuperou da confusão causada pelo projeto Eu Vi O Mundo, Ele Começava no Recife, a cidade já tem outra polêmica envolvendo arte pública para administrar. Desta vez, no centro do debate estão os painéis criados para serem colocados na fachada da Casa da Cultura, assinados pelos artistas plásticos Flávio Emanuel, Márcio Almeida e Maurício Silva. As obras foram apresentadas durante uma mesa-redonda para um público formado principalmente por arquitetos e artistas plásticos, quinta-feira à noite, no Teatro Arraial. Após a exibição, seguiu-se um entusiasmado debate, iniciado pelo artista Paulo Bruscky, que questionou a ausência de impacto da proposta.
“Estou decepcionado. Eu conheço os três artistas e esperava deles algo muito melhor. Esse trabalho está aquém de suas capacidades e não acrescenta nada à Casa da Cultura”, lamentou. Polêmico como de costume, Bruscky desqualificou a iniciativa, que na sua opinião foi muito respeitosa à arquitetura e ao design, mas tem pouco valor artístico.
O arquiteto e professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE, Ney Dantas, também foi contrário ao que chamou de “excessivo respeito à arquitetura e linguagem já existente”. “A arte contemporânea permite uma maior fusão das linguagens bidimensional e tridimencional, acho que as obras poderiam ser mais ousadas”, ressaltou Dantas. O diretor do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), Moacir dos Anjos, não quis comentar a criação, mas afirmou que a arte pública só tem sentido se ela ativa o lugar onde está instalada, se adiciona novos significados e dialoga com o espaço.
ARTE URBANA – Integrantes do grupo Carga e Descarga, os autores dos painéis já desenvolveram vários projetos de intervenção artística ao ar livre. Foram essas ações que os credenciaram para o trabalho da Casa da Cultura. Em defesa de sua criação, Flávio Emanuel explicou que, como é comum na arte contemporânea, as obras são conceituais e, por isso, não cabe discuti-las. “É dever do artista buscar informações em outras áreas do conhecimento. Há um diálogo com a arquitetura, mas isso não empobrece os painéis.” O artista também comentou que esse projeto era um desafio para eles, que nunca tinham feito nada semelhante. “A proposta não é definitiva. Ainda pode ser alterada”, declarou.