Candidato eleito acusa o atual presidente de não querer repassar o cargo. A eleição foi realizada por força de uma liminar expedida pelo juiz Demócrito de Souza Filho
Com faixas e cartazes, cerca de 150 moradores de Brasília Teimosa protestaram ontem contra o presidente do conselho de moradores do bairro, Moacir Gomes. Eles alegam que Moacir foi derrotado nas eleições realizadas no último dia 29, mas não quer entregar o cargo. Segundo o presidente eleito, Severino Ezequiel dos Santos, os moradores conseguiram realizar a eleição por força de uma liminar concedida pelo juiz Demócrito de Souza Filho. “Vencemos com 1.823 votos contra 423 dados a Moacir. Ele tem que sair”, disparou.
Moacir assegura que a eleição não teve validade. Segundo ele, o estatuto do conselho – criado há 34 anos – prevê a participação de todos os moradores nas eleições, mas, desde 1988, um regimento interno aprovado igualmente pelo conselho, regulamenta que apenas sócios-contribuintes em dia têm direito a voto. “Desde 88, os sócios inadimplentes não participam da votação. Só temos cerca de 450 moradores com as mensalidades em dia e somente eles têm direito de escolher o novo representante”, disse. Ele acrescenta que a liminar favorável à realização da eleição foi encaminhada para Moacir, quando deveria ter sido entregue à comissão eleitoral formada por moradores da comunidade. “Eles realizaram uma eleição sem a aprovação da comissão eleitoral, por isso, não tem validade”, argumentou Moacir.
O grupo de oposição pretende ter uma reunião com a atual direção do conselho, mas também já solicitou à Justiça o afastamento de Moacir e o reconhecimento da soberania do estatuto do Conselho de Moradores, que permite a participação de todos os integrantes da comunidade nas eleições.