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BRIGA DE FAMÍLIAS Clãs se reúnem para garantir pacto
No encontro com os Benvindos, em Belém do São Francisco, representantes dos fugitivos pediram que o padre Roberto Amaral intermedie a trégua e uma possível rendição POR EDUARDO MACHADO SALGUEIRO Para provar que a fuga dos Araquan da Cadeia Pública de Salgueiro não abalou o pacto de paz firmado com os Benvindos, há seis meses, os interlocutores das duas famílias se encontraram ontem pela manhã, em Belém de São Francisco, com o padre Roberto Amaral, que vem acompanhando e foi um dos maiores incentivadores da trégua entre os clãs. Rogério Araquan, falando pelos familiares foragidos, quer que o Governo do Estado suspenda as buscas para que se inicie um processo de negociação para que os fugitivos se entreguem. Para o vereador de Belém de São Francisco José Neto (Benvindo), a fuga dos Araquan não ameaça o pacto. A fuga dos Araquan é um problema deles com a Justiça. Nós não temos nada com isso. Não fomos nós quem colocou os Araquan na cadeia, tampouco a polícia atrás deles. Mantendo-se o que ficou definido, nada ameaça o pacto, afirmou o representante dos Benvindos. Do seu lado, Rogério Araquan colocou a culpa da fuga de seus parentes da cadeia de Salgueiro na morosidade da Justiça para avaliar os processos, o que seria um descumprimento das normas firmadas no acordo de paz. Rogério quer que o Governo se pronuncie a respeito da situação e que cesse as buscas para que o pacto seja refeito. Não posso assegurar que eles vão se entregar, mas o primeiro passo para que isso possa vir a acontecer é o Governo e a Justiça fazerem a sua parte. O presidente do Tribunal disse que iria priorizar os processos da comarca de Belém, mas até agora a juíza que foi designada para cá nem começou a trabalhar, protestou. O padre Roberto Amaral, que atualmente deixou Belém de São Francisco e, agora, responde pela Paróquia de Floresta, ressalta que por trás do episódio da fuga dos Araquan existe uma questão mais importante, que é a manutenção da trégua entre Benvindos, Araquan, Gonçalves e Russos/Cláudios. Esse pacto foi firmado há seis meses, mas levou anos para que os homens dessas famílias pudessem sentar numa mesma mesa e conversar. Demorou muito para que eles chegassem à conclusão que não há porque existir tanto ódio. Estamos acompanhando o desenrolar dos fatos ao lado das famílias e esperamos que, por conta da fuga, as autoridades não fechem os olhos e deixem de colaborar para a manutenção do acordo, sentenciou padre Roberto. A assessoria de comunicação da Secretaria de Justiça informou que o secretário Humberto Vieira de Melo não vai negociar com os Araquan e muito menos ordenar o encerramento das buscas. Segundo a assessoria, é de interesse do Governo que o pacto seja mantido, mas não é admissível parar o cerco da polícia a presos foragidos para manter o acordo. BUSCAS Enquanto o pacto de paz era reafirmado no centro de Belém, a Companhia Independente de Operações e Sobrevivência em Área de Caatinga (Ciosac) vasculhava as ilhas do Rio São Francisco em busca dos Araquan. Novamente não encontraram nenhum dos foragidos, mas tiveram informes de que os dois homens acusados de matar o prefeito de Floresta, Marcos Clécio Alves e Clodoaldo Alves Sobrinho, teriam se separado dos Araquan e fugido para a Bahia. As mulheres dos dois acusados, inclusive, já teriam deixado Serra Talhada, onde moram, para ir ao encontro dos foragidos. |
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