Expedição do conservacionista Gilvandro Simas identificou uma planta típica da localidade e pode confirmar a existência de dois tipos de roedores e um de morcego
A primeira semana da Expedição Científica e Conservacionista Gilvandro Simas Pereira ao Jalapão, no leste do Estado do Tocantins, confirmou as expectativas dos pesquisadores quanto à existência de espécies endêmicas e quanto à necessidade de ações visando impedir o impacto da presença do homem na região.
A primeira nova espécie identificada na região é uma planta da família das vochysiaceae. Dois pequenos roedores e um morcego que se alimenta de insetos, capturados nos primeiros dias de trabalho, podem aumentar a lista de espécies até então não-catalogadas. Os animais, desconhecidos para os biólogos que compõem a equipe, serão estudados em laboratórios para confirmação ou não do endemismo das espécies.
Isolado do restante do País devido à dificuldade de acesso, o Jalapão resistiu durante muito tempo à ação do homem. Entretanto, nos últimos três anos, a constatação do potencial turístico da região e a aproximação da fronteira agrícola passaram a afetar o equilíbrio do ecossistema. Segundo o arquiteto do Ibama Miguel von Behr, coordenador geral da expedição, algumas das principais atrações naturais da região já começam a sofrer os efeitos negativos do turismo desordenado. “Os participantes dos ralis escalam as dunas de carros e motos”, exemplifica.
O fogo é outro grave fator de degradação ambiental no Jalapão. “A maioria dos incêndios na região começa como queimada agrícola”, afirma Paulo Cesar Mendes Ramos, coordenador nacional do Prevfogo, participante do evento. A população utiliza as queimadas como forma de recuperar as áreas de pastoreio, eliminar pragas e plantas daninhas e ainda para agregar nutrientes ao solo, oriundos do material vegetal incinerado.