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TENSÃO SOCIAL
Sem teto exigem cestas básicas do comércio

Mães e crianças que integram o Movimento de Tratalhadores Sem Teto (MTST) foram, ontem, à loja do Pão de Açúcar, em Boa Viagem, para solicitar 200 cestas básicas. O grupo formado por cem ocupantes do Conjunto Residencial Coliseu, na Imbiribeira, permaneceu do lado de fora do estabelecimento, que estava sendo protegido por uma equipe do Batalhão de Choque.

Após uma reunião entre a coordenação do movimento e a gerência do Pão de Açúcar, foram oferecidas 50 cestas básicas às famílias, mas os representantes do MTST não aceitaram. “Não estamos aqui pedindo esmolas. Queremos, pelo menos, cem cestas e sabemos que o supermercado tem condições financeiras suficientes para atender nossa reivindicação”, declarou o coordenador Ubiratan Augustinho.

Desempregada há mais de um ano, Ana Paula dos Santos, 22 anos, decidiu participar do movimento e levou o filho, Jonathan Barreto, de apenas um mês de idade. “Precisamos de ajuda. Não temos o que comer. Meu filho precisa de leite e meu marido está desempregado”, contou. Marilene Sampaio, 33, mãe de cinco filhos, também compareceu. “Vivo da caridade das pessoas. Essa ajuda não custa nada para essas grandes empresas”, comentou.

Para resolver o impasse, foi remarcada, no início da tarde de ontem, uma nova reunião com integrantes do MTST e a gerência do Pão de Açúcar de Boa Viagem. De acordo com um dos coordenadores do movimento, o reverendo Marcos Cosmo, o encontro está marcado para a próxima quarta-feira, às 9h. Segundo ele, dependendo do resultado da reunião, a empresa poderá liberar novas cestas básicas às famílias.

O Conjunto Residencial Boa Viagem foi ocupado em abril por cerca de 1.500 integrantes do MTST. O terreno fica nas proximidades de uma área de mangue, e foi utilizado como arena de eventos, o Coliseum, tempos atrás.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.05.2001
Sábado